Comissão de servidores repudia posição do sindicato sobre reforma da previdência em Cotia

Grupo critica Sintrasp após entidade afirmar que mudanças não trazem prejuízo direto à categoria

Foto: Redes Sociais 

A reforma da previdência dos servidores municipais de Cotia segue provocando desdobramentos e ampliando o debate na cidade. Após protestos que impediram a votação do projeto em segundo turno na Câmara, nesta terça-feira (24), a Comissão dos Servidores Públicos divulgou uma nota de repúdio ao posicionamento do sindicato da categoria.

No documento, o grupo critica duramente o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública Municipal de Osasco e Cotia (Sintrasp), acusando a entidade de não representar os interesses dos servidores que ainda podem ser impactados pelas mudanças.

“É revoltante ver o sindicato priorizar os interesses de quem já tem direitos garantidos, enquanto ignora a luta de quem pode perder seus direitos nos próximos meses”, diz um trecho da nota.
 
Críticas à atuação do sindicato

A comissão também afirma que o sindicato esteve ausente em momentos importantes do debate e questiona a condução da entidade ao longo das discussões sobre a proposta.

Segundo o grupo, houve reuniões e construção coletiva de posicionamentos entre servidores, e a atuação do sindicato, na visão da comissão, teria ocorrido à margem desse processo.

“Não podemos aceitar que um sindicato […] venha atuar à margem do que foi construído até aqui”, destaca outro trecho.

A nota ainda reforça o compromisso da comissão com a transparência, a unidade da categoria e o respeito às decisões tomadas em assembleia.
 
Posição do sindicato

A manifestação da comissão ocorre após o Sintrasp divulgar uma análise técnica do Projeto de Lei nº 1/2026, afirmando que a reforma não traz prejuízo direto aos servidores.

De acordo com a entidade, a adequação é obrigatória em razão da Emenda Constitucional 103 de 2019, que estabelece novas regras para aposentadoria em todo o país.

O sindicato também destacou que:
  •  não há aumento na alíquota de contribuição;
  • os direitos adquiridos serão preservados;
  • e não endossa as mobilizações realizadas durante a sessão.
 
Contexto da votação

O projeto já havia sido aprovado em primeiro turno na semana anterior, mas a votação em segundo turno não ocorreu na sessão desta terça-feira (24), após mobilização de servidores na Câmara Municipal.

O prefeito Welington Formiga e a Prefeitura defendem que as mudanças são necessárias para adequação à legislação federal e para garantir o equilíbrio financeiro do sistema previdenciário.

Já parte dos servidores segue preocupada com possíveis impactos futuros e cobra mais diálogo sobre o tema.

LEIA ABAIXO A NOTA DE REPÚDIO DOS SERVIDORES

Nós, servidores públicos, expressamos nosso repúdio ao Sintrasp pela sua falta de compromisso com os trabalhadores que mais precisam. É revoltante ver o sindicato priorizar os interesses de quem já tem direitos garantidos, enquanto ignora a luta de quem pode perder seus direitos nos próximos meses. 

Lembremos que na primeira reunião com a comissão dos servidores, o Ferreira estava presente e foi recebido por todos. O Sintrasp, no entanto, optou por se ausentar e não apoiar a luta dos servidores que gritavam por socorro. Dizer que não sabiam é uma desculpa inaceitável. 

Com mais de 15 anos de sindicalização, é inadmissível que o Sintrasp não se posicione de forma clara e transparente em defesa dos direitos dos servidores. Exigimos que o sindicato se comprometa com a causa e não apenas com os interesses de poucos. 

Diante disso, consideramos inaceitável que, havendo uma comissão representativa dos servidores, o sindicato busque caminhos paralelos, sobretudo quando esses podem fragilizar ou atrapalhar o movimento. Todos os documentos foram compartilhados, as decisões foram construídas coletivamente, com encontros de estudo e a participação de diversos servidores, cada um contribuindo como pode. 

Nesse contexto, não podemos aceitar que um sindicato — que historicamente não nos representou e que agora conta com membros do próprio grupo — venha atuar à margem do que foi construído até aqui. 

Reiteramos nosso compromisso com a transparência, com a unidade da categoria e com o respeito às decisões tomadas em assembleia. 

A Comissão dos Funcionários Público
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