Câmera no km 28 da Raposo não registrou acidente que matou Dayanny, afirma Ecovias

Ao Cotia & Cia, concessionária informou que o equipamento não identificou registros da ocorrência. Corpo da vítima foi encontrado a cerca de 8 km do local do acidente

Dayanny Lopes da Silva faleceu aos 35 anos. Foto: Arquqivo pessoal 

A câmera de monitoramento disponível no trecho do km 28 da Rodovia Raposo Tavares, em Cotia, não identificou registros do acidente que terminou com a morte de Dayanny Lopes da Silva, de 35 anos, na madrugada de domingo (25). 

A informação foi confirmada pela Ecovias Raposo Castello, concessionária responsável pela rodovia, em resposta ao Cotia & Cia.

Em nota, a empresa afirmou que o equipamento disponível no trecho não identificou imagens da ocorrência. A concessionária também informou que está em fase de implementação e calibração de novos equipamentos para monitoramento de toda a extensão sob sua responsabilidade, conforme previsto no contrato de concessão (veja a nota completa no final da reportagem). 

A ausência de registros da ocorrência ganha relevância diante das dúvidas que ainda cercam o caso. Em entrevista ao Cotia & Cia, Elaine Cristina, cunhada de Dayanny, questionou a dinâmica do acidente e afirmou que a família busca esclarecimentos sobre o que aconteceu naquela madrugada.

O que aconteceu na Raposo Tavares

O acidente ocorreu por volta das 3h29 de domingo (25), na altura do km 28 da Rodovia Raposo Tavares, no sentido Cotia. Dayanny estava na garupa de uma motocicleta conduzida pelo namorado quando houve a colisão. Segundo informações apresentadas pela delegada responsável pelo caso, Mônica Gamboa, a mulher foi arremessada na pista e morreu em decorrência de um grave traumatismo craniano.

Durante a entrevista, Elaine levantou dúvidas sobre a dinâmica da colisão, incluindo os danos na parte traseira da motocicleta. A familiar também questionou o que aconteceu com o capacete da vítima e como se deu a confirmação da morte. Os pontos mencionados fazem parte dos questionamentos da família e dependem de esclarecimento pelas autoridades.

Posteriormente, segundo a delegada, um Hyundai i30 prata passou pelo corpo e o arrastou por cerca de oito quilômetros, até a Rua Nelson Ranieri, nas proximidades do Corpo de Bombeiros, em Cotia.

O motorista do carro afirmou que, durante a chuva, acreditou ter atingido um buraco ou algum objeto na pista. Segundo a versão apresentada por seu advogado, Lucas Anselmo Domingues, ele só percebeu que havia atingido um corpo quando parou o veículo e verificou o que tinha acontecido. As autoridades foram acionadas.

A família também questiona a conduta do motorista e quer esclarecimentos sobre o que ele percebeu durante o trajeto. Elaine afirmou que considera necessário apurar por que o condutor não teria identificado antes o que havia atingido. A declaração representa a posição da familiar, e as circunstâncias seguem sob investigação.

Delegada afirma que vítima já estava morta antes do segundo veículo

Em entrevista exclusiva ao Cotia & Cia e ao Blog Cotia, na terça-feira (27), a delegada Mônica Gamboa explicou que informações do Instituto Médico Legal (IML) indicam que Dayanny já estava morta antes de o segundo veículo passar pelo corpo.

A informação é importante para distinguir os dois episódios investigados. De acordo com a delegada, até aquele momento não havia elementos para atribuir ao motorista do Hyundai i30 a responsabilidade pela morte da mulher, uma vez que ela já teria falecido em decorrência do primeiro acidente.

A investigação, porém, continua. A eventual ocorrência de outros crimes, incluindo a possibilidade de omissão de socorro, depende da análise das circunstâncias e dos elementos reunidos pela Polícia Civil. A delegada considerou prematuro afirmar que houve esse tipo de crime, já que o motorista declarou não ter percebido que havia atingido uma pessoa.

A Polícia Civil segue apurando as circunstâncias da colisão, a sequência dos acontecimentos e as responsabilidades envolvidas.

Confira a nota da Ecovias Raposo Castello

“A Ecovias Raposo Castello informa que a câmera de monitoramento disponível no trecho em questão não identificou registros da ocorrência. Atualmente, conforme contrato de concessão, a concessionária está em fase de implementação e calibração de novos equipamentos para monitoramento de todo o trecho.”


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