Acidente na Raposo: advogado de motorista que arrastou corpo de mulher por 8 km se manifesta

Lucas Domingues afirma que cliente acreditou ter passado sobre um objeto na pista durante a chuva; delegada Mônica Gamboa esclareceu que a mulher já estava morta antes de ser atingida pelo segundo veículo

Lucas Domingues. Imagem retirada de vídeo concedido ao Cotia & Cia 

O advogado Lucas Anselmo Domingues, que representa o motorista do Hyundai i30 envolvido no caso da mulher encontrada morta a cerca de oito quilômetros do local de um acidente na Rodovia Raposo Tavares, em Cotia, se manifestou sobre a ocorrência e afirmou que seu cliente não percebeu que havia atingido o corpo da vítima.

Em um vídeo enviado à reportagem (veja mais abaixo), o advogado disse que o motorista acreditou ter passado sobre algum objeto na pista, em meio à forte chuva durante a madrugada. Segundo ele, o homem só tomou conhecimento de que se tratava de uma pessoa quando parou o carro na região do Corpo de Bombeiros de Cotia.

A manifestação ocorre após a Polícia Civil esclarecer a dinâmica do caso. Em entrevista exclusiva concedida nesta terça-feira (27) ao Cotia & Cia e ao Blog Cotia, a delegada titular de Cotia, Mônica Gamboa, explicou que a mulher morreu após cair de uma motocicleta e que o corpo foi atingido por outro veículo posteriormente.

O caso gerou questionamentos nas redes sociais sobre as circunstâncias em que o corpo foi encontrado em outro ponto da cidade. No vídeo, o advogado também procurou afastar especulações que circulavam na internet sobre uma possível ligação com um serial killer ou com facções criminosas.

“Hoje podemos afirmar que não tem absolutamente nada a ver com isso”, declarou Lucas, ao se referir às hipóteses que circulavam nas redes sociais.



Advogado afirma que motorista não percebeu que havia atingido uma pessoa

Segundo Lucas Domingues, o acidente aconteceu durante a madrugada, por volta das 3h, quando chovia intensamente na região.

O advogado afirmou que seu cliente seguia de São Paulo para Cotia quando passou pelo trecho em que a mulher estava caída na pista, após o acidente de motocicleta.

“Ele não viu - estava chovendo muito, 3h, 3h30 da manhã, estava chovendo muito - e, infelizmente, ele arrastou a vítima, que tudo leva a crer que já estava em óbito, até o Corpo de Bombeiros”, declarou.

Ainda de acordo com a versão apresentada pela defesa, o motorista ouviu o impacto, mas acreditou que havia atingido algum objeto na rodovia. Ele teria percebido que se tratava de um corpo somente depois de parar o veículo na Rua Nelson Raineri, nas proximidades do Corpo de Bombeiros.

O advogado afirmou que, assim que tomou conhecimento da situação, o motorista acionou as autoridades. Também informou que compareceu à delegacia com o cliente para que ele prestasse esclarecimentos formalmente.

“Viemos aqui formalmente apresentar ele para poder prestar depoimento e esclarecer os fatos”, disse.

A versão apresentada pela defesa se soma às informações fornecidas pela Polícia Civil, mas a investigação continua em andamento para esclarecer todas as circunstâncias da ocorrência.

Defesa pede respeito à família da vítima

Durante o pronunciamento, Lucas também pediu que a população evite especulações sobre o caso e comentários que possam atingir os familiares de Dayanny Lopes da Silva, de 35 anos.

O advogado ressaltou que a vítima deixou filhas e afirmou que a repercussão nas redes sociais pode causar ainda mais sofrimento à família.

“Pedimos, de forma encarecidamente, que respeite as famílias. Não façam nenhum tipo de suposições ou alegações, porque até mesmo tem famílias envolvidas nisso”, declarou.

Ele também afirmou que o objetivo do vídeo era esclarecer a situação e evitar que informações sem confirmação provocassem medo na população.

Delegada esclareceu que a mulher já estava morta antes do segundo episódio

Na entrevista exclusiva ao Cotia & Cia e ao Blog Cotia, Mônica Gamboa explicou que a investigação identificou dois episódios distintos: o acidente de motocicleta que provocou a morte da mulher e o contato posterior do Hyundai i30 com o corpo.

Segundo a delegada, as informações médico-legais recebidas do Instituto Médico Legal (IML) de Cotia indicam que Dayanny já estava morta quando o segundo veículo passou sobre seu corpo.

“Ele não atropelou alguém, ele arrastou um cadáver que já estava morto”, afirmou Mônica Gamboa, ao explicar por que, diante da dinâmica apurada até aquele momento, não havia elementos para atribuir ao motorista do Hyundai i30 o crime de homicídio na direção de veículo automotor relacionado à morte da mulher.

A delegada também ponderou que ainda seria necessário analisar eventuais implicações jurídicas relacionadas à segunda ocorrência, incluindo a hipótese de omissão de socorro.

Segundo ela, porém, seria precipitado afirmar que esse crime ocorreu, uma vez que a investigação precisa considerar se o motorista percebeu que havia atingido uma pessoa e quais eram as circunstâncias do episódio.

Mônica reforçou que o inquérito permanecia em andamento, com depoimentos e diligências pendentes.

Delegada Mônica Gamboa concedeu entrevista ao Cotia & Cia e ao Blog Cotia. Foto: Anderson Fernandes / Cotia & Cia 

Como o caso aconteceu

Dayanny Lopes da Silva, de 35 anos, estava na garupa de uma motocicleta conduzida pelo namorado quando o casal sofreu um acidente na altura do km 27,8 da Rodovia Raposo Tavares, no sentido Cotia, durante a madrugada de domingo (25).

Segundo a investigação, a mulher foi arremessada para a pista e sofreu um grave traumatismo craniano, que provocou sua morte ainda no local.

A Polícia Militar Rodoviária foi acionada por volta das 3h29 para atender à ocorrência. Quando os policiais chegaram, o motociclista recebia atendimento da concessionária Ecovias. Inicialmente, ele afirmou que estava sozinho na motocicleta.

Uma testemunha que passava pela rodovia relatou ter visto duas pessoas sinalizando o trecho e, em seguida, uma pessoa caída no chão. O homem, que é técnico de enfermagem, parou para prestar socorro e disse ter percebido parte de um rosto feminino no asfalto, indicando que poderia haver uma segunda vítima.

Os policiais fizeram buscas nas imediações, mas não localizaram outra pessoa naquele momento.

Enquanto a ocorrência era registrada, outra equipe da Polícia Militar comunicou a localização de um corpo feminino na Rua Nelson Raineri, a aproximadamente oito quilômetros do local do acidente.

Motorista encontrou o corpo ao parar o carro

Conforme o relato apresentado à Polícia Civil, o motorista do Hyundai i30 passou pelo trecho da rodovia e acreditou ter atingido um objeto na pista. Ele seguiu viagem sem perceber que havia passado sobre o corpo da mulher.

Ao chegar à região da Nelson Raineri, o veículo parou durante uma subida. O motorista desceu para verificar se havia algum dano no carro, mas não encontrou avarias. Segundo a delegada, a perícia realizada posteriormente também não identificou danos no automóvel.

Ao retornar ao veículo e engatar a marcha à ré, o homem ouviu um barulho. Quando desceu novamente, encontrou o corpo da mulher.

De acordo com Mônica Gamboa, o motorista e a namorada ficaram em estado de choque e começaram a fazer ligações em busca de ajuda. Uma testemunha conseguiu atender a uma das chamadas, foi até o local e acionou o Corpo de Bombeiros.

Segundo a delegada, o motorista foi identificado e se apresentou espontaneamente à Polícia Civil para prestar esclarecimentos.

Namorado também ficou ferido

O namorado de Dayanny foi socorrido pela equipe da Ecovias e levado ao Hospital Regional de Cotia. Posteriormente, foi transferido para o Hospital Regional de Osasco.

Conforme o boletim de ocorrência, ele apresentava traumatismo cranioencefálico leve e fratura em um dos membros superiores.

Em uma entrevista preliminar realizada no hospital, o motociclista relatou que havia participado de um evento familiar em Carapicuíba com a namorada e afirmou que os dois haviam ingerido bebida alcoólica antes de iniciar o deslocamento em direção a Cotia.

Ele também disse não se lembrar da dinâmica do acidente, alegando ter sofrido um lapso de memória. Como seu estado clínico não permitia a realização imediata do depoimento formal, ele foi intimado a comparecer à delegacia após receber alta hospitalar.

A identidade da vítima foi confirmada inicialmente pelo motociclista, por meio de uma imagem de uma tatuagem encontrada no corpo, e posteriormente por uma tia dela.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Cotia, que trabalha para esclarecer todas as circunstâncias dos dois episódios e avaliar eventuais responsabilidades com base nos depoimentos, nas perícias e nos demais elementos reunidos.

Confira abaixo a entrevista com a delegada Mônica Gamboa


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