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“A dor da incerteza”: Cotia lança o Dia Municipal das Pessoas Desaparecidas

Evento aconteceu nesta manhã no auditório da prefeitura e reuniu autoridades, especialistas e familiares de pessoas desaparecidas; data é em homenagem à professora de Cotia, Marla Gadelha, que completa hoje 20 anos que está desaparecida


Evento aconteceu no auditório da prefeitura. Foto: Vagner Santos 


O município de Cotia lançou nesta segunda-feira (13), oficialmente, o Dia da Voz e Visibilidade às Pessoas Desaparecidas. A data está inserida a partir de hoje no calendário oficial da cidade.


A iniciativa do movimento foi de Camila Gadelha, filha da professora, que levou a proposta à Câmara Municipal com um projeto de lei que acabou sendo aprovado e sancionado, com alguns vetos, pelo prefeito Rogério Franco.

O evento aconteceu nesta manhã no auditório da prefeitura. Autoridades do município, como a vice-prefeita Ângela Maluf e os vereadores Felipe Variedade (autor do projeto de lei) e Celso Itiki, participaram do encontro, que também teve a presença de familiares de pessoas desaparecidas, entre eles, os da professora Marla Gadelha.

A cerimônia teve, em sua abertura, falas ecumênicas feitas por representantes religiosos do município. Na sequência, em vídeo, o pronunciamento foi realizado pelo coordenador-geral de desaparecidos do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Patrick Mallmann.

Na esfera do Poder Judiciário, o promotor de Justiça, Ricardo Navarro, explicou sobre os procedimentos que todos familiares devem fazer quando um ente desaparece.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de Cotia, José Carlos Calderari, falou sobre os tipos de desaparecimentos que ocorrem e se solidarizou com as famílias que enfrentam essa dor.

O encontro também foi marcado por falas emocionantes, como a de Ivanise Esperidião, fundadora da ONG Mães da Sé, uma organização que contém seis mil famílias de desaparecidos cadastradas em todo o Brasil. Somente no estado de São Paulo, são quatro mil mães cadastradas.

Ivanise procura pela filha, Fabiane Esperidião, desde 1995. Em mais de duas décadas, ela buscou auxiliar outras mães que buscaram apoio. A criação do grupo foi uma forma de transformar a dor em luta.

“Há 25 anos, esse era um assunto totalmente abstrato, que a sociedade não tinha conhecimento. Durante três meses, eu procurei minha filha sozinha. Cheguei à beira da loucura. Nenhum pai e nenhuma mãe estão preparados para perder o filho nessas circunstâncias. Quando você enterra um filho, você fecha um círculo da vida, você sabe onde ele está e não vai mais voltar. Agora, quando ele desaparece, você vive na incerteza e é a pior dor que tem. É mil vezes pior que a morte”, disse Ivanise.

O evento também teve a participação do diretor da Divisão de Localização Familiar e Desaparecidos da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, Darko Hunter. Em 2016, Darko chegou oficialmente à Prefeitura da capital e, em 2018, assumiu o cargo que ocupa até hoje. No ano passado, ele ajudou a encontrar 579 pessoas em São Paulo.

“É muito bom estar aqui compartilhando com vocês o que é feito lá em São Paulo. Mas mais importante que tudo isso, de falar da tecnologia que existe, o principal momento é a conversa com uma pessoa que tem a sensibilidade de olhar para aquela pessoa que está em situação de rua, aquele idoso que pode estar perdido, uma pessoa que está dentro de um hospital, os usuários que estão dentro de um albergue. Que os profissionais da assistência [social] e da saúde tenham esse olhar sensível. É aí que começa todo o nosso trabalho”, destacou.

A vice-prefeita de Cotia e secretária municipal de Direitos Humanos, Cidadania e da Mulher, Ângela Maluf, se emocionou ao se pronunciar no microfone. Ângela resumiu a história da professora Marla e se colocou à disposição de ajudar as famílias que enfrentam esse problema.

“Nesse momento, a cidade de Cotia abraça essa causa e todas essas famílias. Hoje é um compromisso nosso. Contem com Cotia, incondicionalmente.”

O evento foi finalizado com a fala de Camila Gadelha, filha da professora Marla, que agradeceu a todos pelo apoio ao movimento e apresentou, no telão, o videoclipe que foi lançado hoje junto com a campanha Voz e Visibilidade às Pessoas Desaparecidas de Cotia. Confira abaixo:


Reportagem: Neto Rossi