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O mistério do desaparecimento de Marla Gadelha: há 20 anos família segue sem resposta

Reportagem especial do Cotia e Cia resgata a história da professora de Cotia que desapareceu em 2001. Familiares e amigos de Marla relatam como era a sua rotina e os detalhes dos dias que precederam seu desaparecimento. A reportagem ainda traz dados sobre desaparecidos no Brasil, além da ausência de leis eficientes para este problema


Da esquerda p/ direita: Marla Gadelha com 43 anos e a progressão de sua imagem após duas décadas. Foto da progressão: Divulgação / DHPP





Reportagem: Neto Rossi

13 de setembro de 2001. Esta foi a última vez em que familiares da professora de Cotia, Marla Gadelha, a viram. Hoje, após 20 anos, seu desaparecimento ainda continua um mistério.

Os dados da cidadã cotiana, mãe de dois filhos, constavam até 2019 no serviço de pessoas desaparecidas do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo. No entanto, não estão mais lá.

Nem mesmo na internet, quando se faz uma busca pelo Google, a pesquisa não encontra mais o nome da professora.

Todos os dias no Brasil, 217 famílias passam pela angústia de ter um ente querido desaparecido. Segundo um estudo feito pelo Anuário de Segurança Pública, apenas em 2019, 79.275 pessoas desapareceram no país. O número, para se ter uma ideia, é 65% maior que o de assassinatos registrados no mesmo ano.

Marla Gadelha em São Vicente, Litoral Paulista, um ano antes de desaparecer.
Foto: Arquivo pessoal 


Se a dor de perder um parente, seja ele filho, pai ou mãe, já é cientificamente provado que é um dos piores estresses que uma pessoa pode passar, imagina não saber o que aconteceu com ele?

Navegar entre a angústia da espera e a expectativa do encontro é o dilema vivido por familiares de Marla Gadelha. Cotia e Cia mergulhou nessa história e traz os relatos de familiares e pessoas que conviveram com ela.

Por mais que as narrativas sejam diferentes em alguns pontos, há em comum o aspecto de suas principais características: uma pessoa conectada aos filhos, que não costumava falar de seus problemas internos e que sempre comunicava caso algo saísse de sua rotina.

Confira abaixo a reportagem completa:

DEIXOU OS FILHOS NA ESCOLA, FOI PARA CASA DOS PAIS E DESAPARECEU

Em sua rotina normal, na manhã do dia 13 de setembro de 2001, Marla Gadelha saiu com o carro, deixou seus dois filhos na escola, que ficava na região do km 30 da Raposo Tavares, e voltou para casa dos pais, como de praxe. Até aí, tudo normal.

A professora, naquele dia, ainda tinha uma série de compromissos, entre eles, renovar o seguro do carro, devolver documentos em uma das escolas onde trabalhava e visitar uma de suas irmãs, que estava de luto pela morte do marido. Mas nada disso aconteceu.

A mãe da professora foi a última pessoa quem a viu na manhã do dia 13. Ela teria batido na porta do quarto e avisado para a mãe acordar, porque o veterinário iria na chácara onde eles moravam. Isso foi por volta das 8h15.

O carro de Marla ficou estacionado do lado de fora da chácara, um comportamento que, para sua irmã, Kika Gadelha, não foi normal.
Ela jamais faria isso, deixar o carro estacionado na frente do portão impedindo a circulação de outros carros. Essa foi a primeira coisa que minha mãe achou estranha. Algo aconteceu que ela deixou esse carro parado na frente do portão. A gente supõe que ela ia sair com o carro, e não saiu, conta.
Naquele dia, Marla deveria chegar em casa em torno das 18h, 19h. Caso fosse se atrasar, ela costumava avisar a família. Mas o relógio apontava mais de 20h e ela ainda não havia chegado.

Ligações começaram a ser feitas de imediato em seu celular, mas ela não atendia. Os telefonemas seguiram até meia-noite, mas sem nenhuma resposta. “A gente então ligou para a minha tia. Minha mãe sempre avisava onde ela estava, ela com certeza teria avisado. No mínimo, atendido o telefone”, diz Camila Lages, filha de Marla, que na época tinha 17 anos.

Professora de educação física, Marla Gadelha trabalhou em diversas escolas estaduais de Cotia. Foto: Arquivo pessoal / Imagem dos anos 1980


BUSCAS SEM SUCESSO

Camila relembra que, pela madrugada, todos os familiares já estavam sabendo do desaparecimento de sua mãe. As buscas, então, deram início. Cartazes com a foto de Marla começaram a ser espalhados por toda a cidade. Grupos de amigos e professores foram formados para ajudar a encontrá-la.

Entramos em casas abandonadas, teve grupo de amigos e de professores que fizeram passeata na praça da Matriz […] fizemos até uma interdição em um trecho da Raposo Tavares, ali na frente da Discovel. [O caso também ] foi para alguns programas de TV, na época, relembra Nereia Lages, prima de Marla.

Entre as ligações, muitas pessoas passavam trote e outras até tentavam ajudar, mas sem resultado. Alguns comentários da época diziam que ela teria encontrado um homem e fugido com ele, mas para Camila, essa hipótese não condiz com o perfil de sua mãe.

Cartaz que foi espalhado na época para ajudar na busca pela professora


“Na época a gente ouvia de tudo. Vale lembrar que o preconceito e julgamento começam na delegacia ao abrir o boletim de ocorrência. Uma mulher ao desaparecer é porque fugiu com homem, uma adolescente é porque fugiu com namorado. Não existe um escuta sem julgamento nos casos de desaparecimento. Sabendo exatamente o perfil da minha mãe, ter fugido com alguém está completamente fora de hipótese", ressalta.

A reportagem resolveu então abordar junto aos familiares de Marla Gadelha como ela estava e o que fez dois dias antes de seu desaparecimento, para poder contextualizar melhor a história. Confira abaixo os relatos.





11 DE SETEMBRO: O ABALO DIANTE DO ATENTADO CONTRA AS TORRES GÊMEAS

Durante as entrevistas feitas pelo Cotia e Cia, um fato narrado por todos os familiares da professora foi o dia 11 de setembro de 2001. O atentado contra as Torres Gêmeas aconteceu dois dias antes de seu desaparecimento. Marla ficou abalada com o acontecimento que deixou 2.996 pessoas mortas.

Margarete Zanandreia, amiga de Marla, a viu naquele dia e relembra como ela estava. “Muito desesperada, preocupada com o que ia acontecer com o mundo depois disso; se ia ter uma terceira guerra mundial. Ela estava muito chocada com o que havia acontecido. Aí ela chorou comigo porque eu perdi minha mãe uns meses antes. Ela estava muito abalada com isso.”

O mesmo foi narrado por Elisabete Lages, cunhada de Marla, que ainda acrescentou que o luto pela morte de seu irmão em um acidente de carro, cinco anos antes de seu desaparecimento, a deixou bastante consternada.

“[O dia] 11 de setembro mexeu muito com ela. Acho que por ela ter passado pela morte trágica do meu irmão, cinco anos antes, ela tinha muito medo de acontecer algo com os filhos, e aquilo mexeu muito com ela”, conta

Porém, parte da família não acredita que seu desaparecimento tenha sido causado por alguma razão psicológica, seja pelo luto de alguns familiares, entre eles, seu marido, ou pelo atentado do dia 11 de setembro.
Marla com seu marido, Alexandre Lages. Foto: Arquivo pessoal 


NÃO FOI UM DESAPARECIMENTO VOLUNTÁRIO, AFIRMA FAMÍLIA

A hipótese de Marla ter desaparecido por vontade própria está descartada por todos os membros de sua família. Para a sua prima, Elisete Lages, ela jamais iria abandonar a vida desta forma.

“Do jeito que eu a conheço, ela nunca ia fazer isso, deixar os filhos, a quem ela amava mais do que a ela mesma. Ela tinha um cuidado enorme pelos filhos e também com os pais”, diz.

Após a morte do marido, Elisabete, cunhada de Marla, conta que ela ficou ainda mais próxima dos filhos. Por esse motivo, ela também descarta a possibilidade de um desaparecimento voluntário. “Jamais passou pela cabeça da gente que ela foi embora de livre e espontânea vontade.”

Mas independentemente do que tenha ocorrido, Camila Lages ainda espera saber o que aconteceu com a sua mãe. 

Éramos adolescentes, quando nossa mãe desapareceu. Ficou um buraco em nossas vidas. Era muito difícil olhar para essa situação. Hoje, eu consigo olhar para o que aconteceu, e pra mim duas hipóteses estão bem claras: um crime ou um desaparecimento involuntário, como uma perda de memória causada por um forte impacto emocional, por exemplo.

Acreditando na possibilidade de sua mãe estar viva, Camila solicitou ao Laboratório de Arte Forense, do DHPP, a progressão da idade atual de Marla, que hoje estaria com 62 anos.  

Pioneiro na América Latina, o Laboratório de Arte Forense alia tecnologia, habilidades artísticas e conhecimentos avançados em computação gráfica para ajudar a solucionar crimes e a encontrar pessoas desaparecidas.

Foto da progressão: Divulgação / DHPP



A PROXIMIDADE COM A FAMÍLIA EM MOMENTOS DE DOR

Elaine Lages, prima de Marla, perdeu a mãe após 33 dias do nascimento de seu filho. A dor pela partida de sua genitora, no entanto, foi consolada por Marla, que a visitava aos finais de semana em sua casa.

Ela relembra que, no último domingo antes do seu desaparecimento, foi a última vez em que esteve com Marla. Era uma tarde fria e ambas ficaram deitadas na cama com o bebê de Elaine.

“Como eu estava ainda muito traumatizada pela perda da minha mãe, ela me consolou muito. Ela estava normal, aparentemente. Não consigo me lembrar de nada diferente naquele dia.”

O mesmo consolo foi recebido por Elza Ambrósio, irmã de consideração de Marla. Ela acabara de perder o marido e recebeu a visita da professora todos os dias da semana. O detalhe é que Marla saía de Cotia para ir ao apartamento de Elza, em São Paulo.

No dia 12 de setembro, um dia antes do desaparecimento, ocorreu a missa de sétimo dia do marido de Elza. Marla a acompanhou e ficou na igreja recebendo os convidados.

“Depois da missa, ela foi pra minha casa e subiu pra tomar café. Ela se despediu, dizendo que amanhã cedo estaria aqui. Ainda disse que ela não precisava vir, que estava tudo bem. Eu vi que na agenda dela tinha reunião da escola das crianças e mais um monte de coisas pra fazer. Mas ela disse que viria mesmo assim”, recorda Elza. Mas Marla não compareceu no dia seguinte.

Elza até chegou a pensar que sua irmã de consideração tinha se atrasado ou, simplesmente, ter resolvido não ir. Ela diz que foi até o computador resolver algumas tarefas e, quando foi por volta das 18h, recebeu a ligação de Bruno, filho de Marla, perguntando se a mãe estava com ela.

“Aí eu falei, ‘Bruno, sua mãe não veio para cá’. Quando o Bruno me ligou, comecei a acionar todo mundo que fosse possível. Aí meu cunhado foi me buscar e a gente passou no IML, nos hospitais próximos, isso de São Paulo até Cotia [...] ficamos a noite toda ligando, perguntando, aí no dia seguinte, de manhã, eu fui na delegacia [de Cotia] fazer o boletim de ocorrência”, relembra Elza.

Marla (de camisa cor-de-rosa) junto com a família no último Natal antes de seu desaparecimento. Foto: Arquivo pessoal 


RETRATO FALADO E O FRACASSO DAS INVESTIGAÇÕES

Conforme Elza relatou, um Boletim de Ocorrência foi aberto na Delegacia de Cotia informando o desaparecimento da professora. O procedimento foi feito após surgir a hipótese de um crime, inclusive, com retrato falado.

Retrato falado feito na época



Uma funcionária de uma das escolas onde Marla trabalhava relatou que dias antes um homem teria procurado a ‘professora Gadelha’. Mas ninguém a chamava pelo sobrenome, o que soou estranho para a família.

Outro fato que chamou a atenção é de que não havia nenhuma movimentação bancária na conta da professora. “A minha mãe saiu de casa com a bolsa dela, com cartões, talões de cheque, celular, nunca encontraram a bolsa dela. A gente acompanhou durante anos e nunca houve movimentação bancária, ninguém nunca achou RG, não teve clonagem de CPF, nada”, reforça Camila.

A realidade é que as investigações não saíram do lugar. Segundo Kika, a polícia não chegou a fazer nenhuma perícia na casa de sua irmã e nem foram mais atrás de provas e nem saber mais informações a seu respeito.

“A Marla era uma pessoa que tinha um estilo de vida muito fácil para um investigador analisar o perfil dela. Era uma pessoa que sempre avisava onde estava, se ia atrasar, se não ia, sempre ligava para saber se as crianças tinham chegado, se elas estavam bem, se tinham almoçado, se tinham feito a lição...”

APENAS MAIS UM NÚMERO PARA O ESTADO. “A NOSSA DOR É SOLITÁRIA”

Sobre as falhas nas investigações, Ivanise Esperidião, fundadora das Mães da Sé, um dos maiores movimentos de busca por filhos desaparecidos no Brasil, explicou que o próprio estado não oferece aparato tecnológico para as delegacias trabalharem com essa demanda. Para a ativista, que tem sua filha desaparecida há 25 anos, o verdadeiro descaso parte dos governos.

“O estado não oferece condições para a polícia, que trabalha com investigações de desaparecidos, ter um trabalho mais avançado. O governo não oferece nenhum tipo de política pública de amparo às famílias que tem entes desaparecidos”, critica.

Ivanise Esperidião, fundadora do movimento Mães da Sé. Foto: Reprodução / Mães da Sé 


Ivanise conhece a história de Marla, pois Kika Gadelha, na época, chegou a participar e receber apoio do movimento. Ela lamenta que assim como Marla, milhares de pessoas desaparecidas continuam sendo apenas números para o estado.

“O descaso, a omissão e o abandono do estado em relação ao desaparecimento não mudou. Continua da mesma forma. Os nossos desaparecidos, para o estado, são apenas números. A minha filha está desaparecida há 25 anos. Se eu quiser um atestado de óbito, o estado me dá. Porque passou de 20 anos, a minha filha não existe mais. A nossa dor é solitária. A busca é somente nossa”, explica.

A FALTA DE CRUZAMENTO DE DADOS E A FRAGILIDADE DAS LEIS PARA DESAPARECIDOS

A falta de integração entre os estados e o governo federal pioram a situação de quem procura um desaparecido. Essa sempre foi a principal razão pelo mau funcionamento de um cadastro nacional que poderia cumprir uma importante função.

A crítica da irmã de Marla é contundente ao apontar essa situação. Para Kika Gadelha, se no Brasil existissem leis que fossem tratadas com seriedade, possivelmente as informações sobre pessoas desaparecidas seriam mais eficientes.

“Nós não temos um cruzamento de dados no Brasil. Pessoas desparecidas em São Paulo é de São Paulo, da Bahia é da Bahia. Cada estado tem a sua competência. Não tem um cruzamento nacional de pessoas desaparecidas; não há um cruzamento no sistema de desaparecimentos de pessoas e as ONGs, instituições, órgãos públicos que cuidam dos moradores de rua. Uma pessoa que está na rua e precisando de um albergue, por exemplo, o documento dela não cruza com o sistema do DHPP, e aquela pessoa que está na rua pode estar sendo procurada pela família”, argumenta.

Para o coordenador-geral de Desaparecidos do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), Patrick Bestetti Mallmann, a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, criada pela Lei 13.812/2019, veio exatamente para buscar sanar esta falta de intercomunicabilidade entre os diversos atores estatais envolvidos.

Mas Mallman explica que o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, o Aplicativo de Busca de Desaparecidos e outros sistemas já existentes, como o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, o Sistema Nacional de Identificação e Localização de Pessoas Desaparecidas do Ministério Público, o SUS e o SUAS (Assistência Social), devem ser integrados para que as pessoas encontradas possam ter seus dados cruzados com os dos desaparecidos. “O resultado desse cruzamento, evidentemente, é a reunião entre vítima e família", destaca.

O QUE FAZER QUANDO ALGUÉM DESAPARECE

Na hipótese de desaparecimento de um ente querido, Mallman elucida que a comunicação em delegacia de polícia deve ser imediata. “A cada segundo que passa, diminuem as chances de encontrar o desaparecido. As delegacias têm a obrigação legal de registrar os casos.”

Ele sugere, também, a comunicação ao Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos do Ministério Público local. “Ressalte-se que o avanço da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas trará, possivelmente, novos fluxos para auxiliar as famílias a resolver os casos da maneira mais rápida possível, mas atualmente estas são as orientações básicas. Sugere-se, por fim, buscar auxílio psicológico, médico e assistencial”, conclui.

Em Cotia, um Grupo de Trabalho está sendo formado junto com a Secretaria de Direitos Humanos, Cidadania e da Mulher, está sendo organizado para criar meios efetivos e buscar soluções para este problema. A iniciativa partiu de Camila Gadelha Lages, filha de Marla, que conta com o apoio da secretária da pasta, Olympia Navasques.

Até hoje, nunca houve no município a implementação de políticas públicas para pessoas desaparecidas e nem dados referentes a essa questão. Não se sabe, por exemplo, quantas pessoas desaparecem por dia em Cotia e não há informações nos órgãos oficiais em como agir caso alguém passe por este problema.

MAIS INFORMAÇÕES IMPORTANTES

Em caso de desaparecimento de alguém, a família deve comunicar à polícia imediatamente. Não se deve esperar 24h.

Prevenção contra desaparecimentos de crianças: é indicado que a criança tenha um documento de identidade (RG) desde cedo. Também é importante ter fotos 3×4 da criança atualizadas a cada ano.

Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP): Para auxiliar nas buscas, a 4ª Delegacia de Polícia de Pessoas Desaparecidas divulga na internet a foto da pessoa desaparecida que for enviada ao departamento policial.

PLID (Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos): Para saber mais informações de como se prevenir ou reagir em um caso de desaparecimento, o PLID também disponibiliza materiais de apoio (como cartilhas, apresentações e artigos) e links úteis sobre o tema. Para um contato direto, acesse a página do PLID no Facebook.

Se você tem algum parente ou conhecido desaparecido na cidade de Cotia, encaminhe sua história para desaparecida.marlagadelha@gmail.com. As informações serão atualizadas junto à Secretaria Municipal de Direitos Humanos, Cidadania e da Mulher.