Acusado de matar Ariana a facadas em Cotia vai a júri popular

Catarino Menezes também responde por tentativa de homicídio contra Valmir Ferreira Lima, que sobreviveu ao ataque ocorrido durante a comemoração do aniversário da vítima, em fevereiro deste ano

Ariana foi morta a facadas em fevereiro deste ano. Foto: Redes sociais 

A Justiça decidiu que Catarino Edson Menezes do Carmo será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri pelo assassinato de Ariana Ferreira dos Santos e pela tentativa de homicídio contra Valmir Ferreira Lima, em Cotia. A decisão de pronúncia foi assinada nesta terça-feira (3), e também manteve a prisão preventiva do acusado.

Na decisão, o juiz considerou que permanecem os motivos que levaram à decretação da prisão. O magistrado destacou que a liberdade do réu representa risco concreto à integridade física de Valmir, que sobreviveu ao ataque. Também mencionou que Catarino fugiu após o crime e só se apresentou à autoridade policial cerca de um mês depois.

Segundo a decisão, a manutenção da prisão é necessária para preservar a ordem pública, garantir o andamento do processo e assegurar a aplicação da lei penal.

O crime

O caso aconteceu na noite de 13 de fevereiro de 2026, no Jardim Cláudio, em Cotia, durante a comemoração do aniversário de Ariana. A mulher foi morta a facadas, e Valmir Ferreira Lima também foi atacado, mas sobreviveu após receber socorro.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), o episódio começou após Catarino proferir ofensas contra as vítimas em um bar da região. Ao ser confrontado, ele teria deixado o local, se armado com uma faca e retornado para iniciar o ataque.

Conforme a acusação, Valmir foi atingido primeiro e tentou se defender. Ariana interveio para protegê-lo e também foi golpeada. Ela sofreu ferimentos no tórax e no abdômen, que provocaram sua morte.

O Ministério Público denunciou Catarino por feminicídio, pela morte de Ariana, e tentativa de homicídio contra Valmir.

Acusação aponta violência de gênero

Na época, os advogados de acusação Lucas Domingues e Mauro Ferreira afirmaram que o crime apresenta agravantes, como motivo fútil e o uso de recurso que teria dificultado a defesa das vítimas.

Sobre a morte de Ariana, os advogados destacaram o enquadramento como feminicídio, argumentando que o crime estaria relacionado ao menosprezo à condição de mulher, mesmo sem existir vínculo amoroso entre o acusado e a vítima.

A legislação não restringe o feminicídio a crimes cometidos por companheiros ou ex-companheiros. A classificação considera as circunstâncias de violência de gênero previstas em lei.

Com a decisão de pronúncia, o processo segue para julgamento pelo Tribunal do Júri, que deverá analisar as acusações e decidir se Catarino é culpado ou inocente.

A reportagem não localizou a defesa do acusado. O espaço permanece aberto para manifestações.
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