Mais metragem, menos custo: o cálculo que está trazendo famílias para Cotia

Região de Granja Viana concentra oferta de casas em condomínio fechado com acesso direto à capital e qualidade de vida difícil de encontrar dentro de São Paulo


Quem mora em condomínio fechado em Cotia costuma contar a história de uma decisão que parecia difícil e virou óbvia. O apartamento em São Paulo estava ficando pequeno, o aluguel subindo, a compra fora do alcance. Alguém sugeriu Cotia. A família foi visitar no fim de semana, voltou na semana seguinte, e três meses depois estava assinando contrato.

Esse roteiro se repetiu tantas vezes nos últimos anos que hoje a cidade carrega um perfil demográfico diferente do que tinha há uma década. As ruas internas dos condomínios de Granja Viana são habitadas, em boa parte, por famílias de 30 e poucos anos que trabalhavam em Pinheiros ou na Paulista, adotaram o regime híbrido e perceberam que dois dias presenciais por semana não justificavam o custo de morar dentro da capital.

A Rodovia Raposo Tavares é o que torna esse cálculo possível. Fora do horário de pico, Cotia fica a 35, 40 minutos da Marginal Pinheiros. Para quem foi à cidade pela primeira vez esperando encontrar interior, a surpresa é o quanto Granja Viana funciona de forma autossuficiente: supermercados, escolas particulares bem avaliadas, clínicas, restaurantes e centros comerciais que cobrem a rotina sem exigir deslocamento até São Paulo.

O mercado imobiliário local reflete essa chegada. Casas em condomínio em Cotia com três dormitórios, quintal, área de lazer e portaria 24 horas entram em faixas de financiamento que simplesmente não existem em bairros equivalentes da capital. O mesmo orçamento que compra um apartamento de dois quartos sem vaga em São Paulo financia uma casa com metragem real em Cotia. Não é exagero — é o que os números mostram quando se compara o metro quadrado médio da Grande São Paulo com o praticado nos condomínios fechados da região.

A valorização acompanhou a demanda. Municípios como Cotia, Santana de Parnaíba e Barueri registraram crescimento de preços acima da média estadual nos últimos dois anos, segundo levantamentos do mercado imobiliário paulista. Quem comprou entre 2021 e 2022 já acumulou valorização expressiva, o que atrai também o investidor que busca imóvel para renda com contratos de longo prazo.

Mas a maior parte das transações ainda é de quem vai morar. Famílias com filhos pequenos que queriam quintal. Casais que precisavam de home office separado do quarto. Pessoas que simplesmente não aguentavam mais pagar caro para morar mal. Cotia apareceu como resposta para perguntas que São Paulo parou de conseguir responder.

A infraestrutura dos condomínios fecha o argumento. Quadras, piscina, salão de festas, espaço kids, segurança privada — tudo que dentro da capital exigiria um investimento de alto padrão, em Cotia está disponível em uma faixa muito mais acessível. A conta não tem segredo: mais metragem, mais área verde, mais tranquilidade, por menos.

O que surpreende quem analisa esse mercado não é que as famílias estejam indo para Cotia. É que levaram tanto tempo para ir.
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