Quem foi Carlos Adão, o homem que transformou o próprio nome em marca pelas ruas de SP

Conhecido pelas intervenções em muros, paredes e rodovias, artista morreu aos 71 anos no sábado (8), em Taboão da Serra

Foto: Reprodução 

Morreu neste sábado (8), aos 71 anos, Carlos Alberto Adão, conhecido por espalhar o próprio nome em muros, paredes, ruas e rodovias de São Paulo e de outras cidades brasileiras. A morte ocorreu em Taboão da Serra, onde ele viveu nos últimos anos.

Nascido em 18 de outubro de 1954, no bairro do Butantã, em São Paulo, Carlos Adão teria começado a pintar o próprio nome pelas ruas por volta de 1992. Ao longo das décadas, a assinatura passou a fazer parte da paisagem urbana da Região Metropolitana de São Paulo.

Em algumas intervenções, o nome aparecia acompanhado de frases como “Carlos Adão é amor” e “Carlos Adão é filosofia”. Para ele, porém, a inscrição não representava apenas a própria pessoa, mas uma espécie de marca artística.

Carlos Adão afirmava ter realizado mais de 100 mil intervenções em centenas de cidades brasileiras. Ele também mantinha registros das pinturas e costumava compartilhar as imagens nas redes sociais.

“Nem pichador, nem grafiteiro”

Apesar de utilizar paredes e outros espaços públicos para suas intervenções, Carlos Adão não gostava de ser definido como pichador ou grafiteiro.

Ao longo da carreira, chegou a desenvolver desenhos e outras formas de expressão artística. Em 2006, conheceu o grafiteiro Mundano, que o incentivou a ampliar seu trabalho para além das frases e assinaturas.

A primeira exposição individual de Carlos Adão, “Carlos Adão É Arte”, foi realizada em 2010, em um espaço cultural na região da Consolação, em São Paulo.

A visibilidade de suas intervenções também fez com que ele participasse de programas de televisão, documentários e outras produções sobre arte urbana.

Em 2018, sua trajetória foi tema do documentário “Os 3 Atos de Carlos Adão”, dirigido por Diego Navarro e Francisco Franco.

Uma marca espalhada pelas cidades

Carlos Adão dizia que escolhia locais de grande circulação para que seu trabalho fosse visto pelo maior número possível de pessoas. A ideia, segundo ele, era transformar as intervenções em uma espécie de sequência visual para quem passava pelas ruas.

Uma das pinturas de que mais gostava ficava em uma passagem de pedestres entre a Avenida Nove de Julho e a Rua Pamplona, na região dos Jardins, em São Paulo.

Além da arte urbana, Carlos Adão também tentou ingressar na política. Disputou eleições em diferentes períodos e foi candidato a deputado federal em 2006. Sua última candidatura ocorreu em 2022.

Ao longo de mais de três décadas de intervenções, o nome “Carlos Adão” tornou-se reconhecido por milhares de pessoas que circulavam pelas ruas e rodovias de São Paulo.

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