Por que o Metrô descartou monotrilho e escolheu um túnel de 31 km para chegar a Cotia

Estudos da Linha 22-Marrom avaliaram diferentes tecnologias, incluindo monotrilho, VLT, BRT e trechos elevados, antes de definir o metrô subterrâneo como alternativa mais adequada para ligar Cotia à capital paulista

Foto: Metrô SP

A ligação metroviária entre Cotia e São Paulo passou por uma série de estudos antes de chegar ao formato atual. Durante a elaboração do Anteprojeto de Engenharia da Linha 22-Marrom, o Metrô analisou diferentes possibilidades de traçado e tecnologias, incluindo monotrilho, VLT, BRT e até trechos elevados. A conclusão foi que a alternativa mais adequada seria um metrô subterrâneo em toda a extensão da linha, com cerca de 31,3 quilômetros e 19 estações.

A decisão, segundo o estudo, levou em consideração fatores como capacidade de transporte, integração com a rede existente, impactos ambientais, custos, riscos construtivos e o crescimento urbano da região.

A futura linha deverá ligar o Terminal Cotia ao bairro de Sumaré, na zona oeste de São Paulo, passando por áreas estratégicas como Granja Viana, Raposo Tavares, USP, Hospital Universitário e regiões empresariais da capital.
 
Cotia chegou a ser avaliada com outras tecnologias

Uma das etapas dos estudos analisou a possibilidade de implantar um sistema diferente para o trecho entre Cotia e São Paulo, principalmente na área considerada de menor demanda.

O Metrô dividiu a linha em dois segmentos para avaliação:
  • um trecho entre Sumaré e Mesopotâmia, com maior carregamento de passageiros;
  • outro entre Mesopotâmia e Cotia, com demanda menor.
Essa análise abriu espaço para estudar alternativas como monotrilho e outros sistemas de média capacidade para o trecho até Cotia.

No entanto, o estudo apontou que algumas soluções não atenderiam adequadamente à demanda prevista.

Segundo o documento, VLT e BRT foram descartados por não apresentarem capacidade suficiente, enquanto o monotrilho chegou a ser considerado para um traçado misto, com parte da linha elevada.
 
Por que o monotrilho foi descartado?

Apesar de apresentar vantagens como menor custo inicial de implantação e possibilidade de construção elevada, o monotrilho apresentou alguns riscos considerados relevantes pelo Metrô.

Entre os pontos avaliados estavam:
  •  possibilidade de redução da capacidade de transporte;
  • necessidade de transferência entre diferentes sistemas caso fosse integrado ao metrô convencional;
  • riscos de perda de receita;
  • impactos relacionados a desapropriações e implantação de estruturas elevadas.

O estudo destacou que uma solução com diferentes modais poderia gerar dificuldades operacionais e aumentar a complexidade para os passageiros.

A análise de risco apontou que a alternativa subterrânea apresentava menor probabilidade de problemas relacionados à operação e à demanda.
 
Trecho elevado também foi analisado

Outra possibilidade estudada foi a construção de parte da Linha 22-Marrom em elevado, especialmente na região de Cotia.

A alternativa previa uma combinação de:
 
  • túneis subterrâneos;
  • estruturas de transição;
  • trecho elevado.

A proposta poderia reduzir custos de construção, mas trouxe preocupações relacionadas a:
  • impacto visual;
  • ruído;
  • intervenções em áreas urbanas;
  • necessidade de desapropriações;
  • interferências ambientais.

O estudo apontou que, embora o sistema elevado apresentasse vantagens na execução, a alternativa subterrânea teve melhor desempenho nos critérios de acessibilidade, interesse público e impactos ambientais.
 
A escolha pelo metrô subterrâneo

Após comparar as alternativas, o Metrô definiu como referência um sistema totalmente subterrâneo utilizando trens de cinco carros com dimensões reduzidas.

A configuração escolhida permite diminuir o tamanho dos túneis e reduzir custos de implantação.

O projeto prevê:
  • 31,32 km de extensão
  • 19 estações
  • 48 composições
  • trens com cinco carros
  • capacidade de até 1.274 passageiros por composição

A estimativa é que a Linha 22-Marrom possa transportar aproximadamente 649 mil passageiros por dia útil em 2040.
 
Uma linha pensada para integrar Cotia à rede metroviária

Um dos principais motivos para a escolha do metrô subterrâneo foi a possibilidade de integrar Cotia diretamente ao sistema metroferroviário da capital.

O projeto prevê conexões com:
  • Linha 2-Verde;
  • Linha 4-Amarela;
  • Linha 9-Esmeralda;
  • futura Linha 20-Rosa.

Além disso, o traçado foi alterado para incluir a região da Universidade de São Paulo (USP), considerada estratégica pelo volume de pessoas que circulam diariamente no campus.

Segundo o estudo, a Cidade Universitária reúne aproximadamente:
  • 49 mil matrículas;
  • 24 mil postos de trabalho.
  • O impacto esperado para Cotia

O estudo do Metrô aponta que a implantação da Linha 22-Marrom poderá reduzir a dependência atual do transporte rodoviário, especialmente da Rodovia Raposo Tavares.

Entre os benefícios esperados estão:
  • redução dos tempos de viagem;
  • menor pressão sobre o sistema viário;
  • ampliação do acesso a empregos e serviços;
  • integração de Cotia com regiões centrais de São Paulo.

A previsão é que o projeto conecte uma das regiões que mais cresceram nos últimos anos a uma rede de transporte de alta capacidade.
 
O caminho até Cotia

A definição pelo metrô subterrâneo encerra uma longa sequência de estudos iniciados ainda na década de 1990, quando começaram as primeiras análises para uma ligação de transporte de alta capacidade entre São Paulo e Cotia.

Ao longo das décadas, mudanças no crescimento urbano, novas demandas de passageiros e o surgimento de novos projetos imobiliários e metroferroviários fizeram o traçado ser revisado.

A conclusão atual do Metrô é que o túnel de mais de 31 quilômetros representa a alternativa com maior equilíbrio entre capacidade, integração, segurança operacional e menor impacto urbano.

Agora, a Linha 22-Marrom segue para as próximas etapas de planejamento e licenciamento antes da fase de implantação das obras.

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