Aquário de SP completa 20 anos e destaca bastidores da conservação de espécies ameaçadas

Instituição relembra desafios técnicos, histórias marcantes e avanços em pesquisa, reprodução de animais e educação ambiental ao longo de duas décadas

Foto: Divulgação 

O Aquário de São Paulo celebra 20 anos de funcionamento destacando uma trajetória que vai além da experiência oferecida aos visitantes. Ao longo de duas décadas, a instituição ampliou sua estrutura, investiu em pesquisa e conservação da fauna e acumulou histórias que envolvem operações complexas de manejo, reprodução de espécies ameaçadas e desenvolvimento de tecnologias inéditas no país.

Inaugurado com foco em espécies de água doce, o aquário se transformou em um complexo com cerca de 50 recintos, reunindo animais de diferentes biomas brasileiros e de outras partes do mundo. Nesse período, a área do empreendimento mais que triplicou, acompanhando a evolução das equipes técnicas e dos protocolos voltados ao bem-estar animal.

Segundo Anael Fahel, diretor do grupo Expoaqua, a instituição pretende ampliar seu papel na preservação da biodiversidade nos próximos anos.

"Ao longo dessas duas décadas, vimos que esse trabalho faz diferença. Nosso objetivo é fortalecer ainda mais a conscientização ambiental e ampliar as parcerias voltadas à conservação das espécies", afirma.

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Desafios técnicos marcaram a expansão

Entre os principais desafios enfrentados pela equipe está a construção de um tanque com aproximadamente um milhão de litros de água salgada, desenvolvido longe do litoral em uma época em que o mercado brasileiro ainda não oferecia sistemas de filtragem para aquários de grande porte.

A instituição também precisou criar soluções inéditas para transportar espécies de grande porte. Um dos casos mais emblemáticos foi o do tubarão Pantio, trazido da Argentina em uma caixa especialmente desenvolvida para manter a circulação contínua da água durante o voo, condição essencial para a sobrevivência do animal.

Outra operação de grande complexidade envolveu a chegada de Tapajós, um peixe-boi amazônico com cerca de 330 quilos. Antes do transporte, as equipes realizaram diversos testes para simular o peso do animal e planejar cada etapa da logística, que envolveu transporte aéreo, caminhão equipado e monitoramento constante das condições da água.

Reprodução e pesquisas

Ao longo dos últimos 20 anos, o Aquário de São Paulo acompanhou o nascimento de diversas espécies, como lêmures, suricatos, lontras, equidnas e aranhas.

Entre os episódios considerados mais importantes está o nascimento de Nur, filhote de urso-polar, resultado de anos de planejamento e manejo especializado voltado à reprodução de uma espécie ameaçada.

Outro trabalho de destaque foi a criação artificial de filhotes de lontras, que deu origem a um artigo científico utilizado por profissionais de instituições nacionais e internacionais.

Conservação além dos recintos

O Aquário de São Paulo também ampliou sua atuação em projetos de conservação da biodiversidade por meio de parcerias com instituições de pesquisa e programas ambientais, entre eles o Projeto Meros do Brasil, Instituto Tamanduá, Projeto Ariranhas e Instituto Butantan.

Segundo a veterinária-chefe Laura Reisfeld, o trabalho desenvolvido ultrapassa os limites da instituição e contribui para a produção de conhecimento sobre espécies ameaçadas.

"Quando percebemos que o conhecimento produzido aqui pode ajudar outras instituições e contribuir para a preservação de diferentes espécies, entendemos que nossa missão está sendo cumprida", destaca.

Entre as pesquisas desenvolvidas está o acompanhamento de meros, peixes ameaçados de extinção, permitindo que cientistas observem comportamentos reprodutivos difíceis de registrar na natureza e produzam informações que podem subsidiar futuras estratégias de conservação.

Foto: Divulgação 

Educação ambiental

Além do trabalho científico, o Aquário de São Paulo reforça que a educação ambiental permanece como um dos principais pilares da instituição. A proposta é aproximar o público de temas relacionados à preservação da fauna, às mudanças climáticas e à importância da conservação dos habitats naturais.

Ao completar duas décadas de funcionamento, o aquário destaca que, por trás dos tanques e das atrações abertas à visitação, existe um trabalho diário realizado por veterinários, biólogos, oceanógrafos e tratadores, responsável por garantir o bem-estar dos animais e contribuir para a conservação da biodiversidade.
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