Quem são os três presos apontados como infiltrados do PCC em órgãos públicos de São Paulo

Grupo é suspeito de vazar informações sigilosas e atuar em esquema ligado ao plano para matar um promotor do Gaeco

Foto: Divulgação 

Uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Militar prendeu, nesta terça-feira (9), três suspeitos de integrar um esquema de infiltração em órgãos públicos que teria beneficiado o Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os detidos estão um ex-estagiário do próprio Ministério Público, um investigador da Polícia Civil e um policial penal.

Batizada de Operação Infiltrados, a ação é um desdobramento das investigações sobre um plano da facção criminosa para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em Campinas.

Um dos principais alvos da operação foi o advogado Gabriel Lira de Jesus, ex-estagiário do Ministério Público. Segundo as investigações, ele teria utilizado o acesso a sistemas internos da instituição para obter informações sigilosas sobre investigados com alto poder econômico. A suspeita é de que os dados fossem usados para extorquir dinheiro em troca de suposta proteção contra investigações conduzidas pelo Gaeco.

Gabriel foi preso por equipes do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) em uma residência de alto padrão em Campinas. Durante a ação, documentos e equipamentos eletrônicos foram apreendidos.

Outro preso é o investigador da Polícia Civil Maurício Aparecido de Oliveira, atualmente lotado no 1º Distrito Policial de Campinas. De acordo com o Ministério Público, ele ocupava o cargo de chefe de investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) quando o plano para executar o promotor estava sendo articulado.

As investigações apontam que Maurício foi filmado em uma reunião com o empresário José Ricardo Ramos, apontado como um dos principais articuladores do atentado frustrado contra o promotor. Os promotores apuram se o policial repassou informações privilegiadas ao grupo criminoso.

A prisão do investigador foi realizada pela Corregedoria da Polícia Civil. Ele foi encaminhado para uma unidade prisional destinada a agentes públicos.

O terceiro preso é um policial penal, detido no município de Cardoso, no interior paulista. O Ministério Público não divulgou sua identidade, mas informou que ele também é suspeito de utilizar sua função pública para favorecer atividades ilegais.

As investigações ainda apontam o envolvimento de um ex-policial civil, que já havia sido expulso da corporação após condenação por extorsão. Segundo o MP, ele teria auxiliado o então estagiário no esquema de obtenção e comercialização de informações sigilosas.

A Operação Infiltrados é resultado de apurações iniciadas nas operações Pronta Resposta e Off White, realizadas em 2025. Além das três prisões temporárias, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso.

O Ministério Público afirma que o objetivo é desarticular uma rede de agentes públicos que, supostamente, atuava em favor do PCC por meio do vazamento de informações confidenciais, extorsões e apoio a ações criminosas de interesse da facção.
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