Quando o skincare vira problema: o perigo do excesso de produtos na pele

Tendências das redes sociais têm levado pacientes a desenvolver inflamações e danos na barreira cutânea, alerta Dra. Anna Carolina Leibel em sua coluna. Confira

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Dermatologia em Evidência, por Dra. Anna Carolina Leibel*

Nos últimos anos, o skincare deixou de ser apenas uma rotina de cuidados e se transformou em um verdadeiro fenômeno nas redes sociais. Séruns, ácidos, máscaras, vitaminas e dezenas de etapas passaram a fazer parte do dia a dia de muitas pessoas em busca da pele perfeita. No entanto, junto com o aumento do interesse pelos cuidados com a pele, surgiu também um problema cada vez mais comum nos consultórios dermatológicos: o excesso de skincare. 

A ideia de que “quanto mais produtos, melhor” nem sempre é verdadeira. Pelo contrário. O uso exagerado de ativos, principalmente sem orientação adequada, pode causar irritação, sensibilidade, vermelhidão, acne, descamação e até piorar problemas já existentes. 

A pele possui uma barreira natural de proteção responsável por manter hidratação, equilíbrio e defesa contra agressões externas. Quando utilizamos muitos produtos ao mesmo tempo, especialmente ácidos, esfoliantes e substâncias irritativas essa barreira pode ser danificada. O resultado é uma pele sensibilizada, reativa e muitas vezes mais vulnerável. 

É cada vez mais frequente observar pacientes jovens utilizando combinações inadequadas de ativos influenciados por tendências da internet. Misturas de ácido retinóico, ácido glicólico, vitamina C e outros produtos potentes sem acompanhamento médico podem provocar inflamação e comprometer a saúde da pele. 

Outro ponto importante é que skincare não deve ser baseado apenas em tendências. Cada pele possui características e necessidades diferentes. O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Idade, oleosidade, sensibilidade, presença de acne, manchas ou rosácea são fatores que precisam ser considerados na escolha dos produtos. 

A dermatologia moderna tem reforçado cada vez mais o conceito de “skinimalism”, ou seja, uma rotina mais simples, inteligente e focada na qualidade da pele e não na quantidade de produtos. Em muitos casos, uma rotina básica com limpeza adequada, hidratação, antioxidantes e protetor solar pode trazer resultados melhores do que protocolos excessivamente complexos. 

Entre todos os cuidados, o protetor solar continua sendo o produto mais importante para prevenção do envelhecimento precoce, manchas e câncer de pele. Muitas vezes, investir em fotoproteção diária traz mais benefício do que acumular inúmeros produtos sem necessidade. 

Mais do que seguir modismos, cuidar da pele deve significar equilíbrio, constância e saúde. A verdadeira beleza da pele não está no excesso de produtos, mas em uma rotina adequada, individualizada e baseada em ciência. 

Afinal, quando o assunto é skincare, menos também pode ser mais.



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