Investigação aponta lavagem de dinheiro, uso de empresas de fachada e prejuízo superior a R$ 200 milhões em impostos sonegados
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| Foto: MPSP |
Uma nova fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28), revelou um esquema ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) envolvendo adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro e fraudes fiscais com atuação na Grande São Paulo e em outros estados do país.
Batizada de “Fluxo Oculto”, a ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, com apoio da Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo (ANP), Secretaria da Fazenda e forças policiais.
Segundo as investigações, o grupo utilizava nafta petroquímica (um solvente com tributação inferior à gasolina) para adulterar combustíveis revendidos em postos ligados ao esquema criminoso.
A apuração aponta que empresas de fachada eram usadas para simular compras do produto destinadas à indústria química. Na prática, porém, a carga era desviada para distribuidoras e terminais de armazenamento na Grande São Paulo, onde o solvente era misturado ilegalmente à gasolina automotiva.
De acordo com o Ministério Público, o esquema causou prejuízo estimado em mais de R$ 200 milhões em tributos sonegados em apenas dois anos.
As investigações também identificaram um complexo sistema financeiro usado para ocultar recursos obtidos com as fraudes. O grupo movimentava bilhões de reais por meio de instituições de pagamento e fundos de investimento, dificultando o rastreamento do dinheiro pelas autoridades.
Ainda segundo o MP, dezenas de postos de combustíveis tinham operações concentradas em contas únicas, mecanismo que permitia esconder a origem e o destino real dos recursos. Relatórios de inteligência financeira apontam movimentações suspeitas próximas de R$ 4 bilhões.
Ao todo, cerca de 60 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
A operação também revelou que o grupo teria continuado atuando mesmo após ações policiais anteriores, trocando empresas, operadores financeiros e estruturas societárias para manter o esquema em funcionamento.
Segundo o Ministério Público, esta nova etapa da investigação busca aprofundar o combate às estruturas financeiras que sustentam o crime organizado e fortalecem economicamente facções criminosas no país.
