Em sua coluna deste mês, Myrella Ávila mostra como a Reforma Tributária pode reduzir silenciosamente a lucratividade das empresas, afetando o caixa, a competitividade e a sustentabilidade dos negócios
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| Imagem ilustrativa |
A maioria dos empresários ainda está olhando para a Reforma Tributária da forma errada.
Focam na pergunta clássica: “Vou pagar mais ou menos imposto?”. Mas a pergunta certa é outra — e bem mais perigosa: “O que vai acontecer com a minha margem de lucro?” É aí que mora o risco invisível. O problema não está no valor nominal do imposto, mas no efeito que ele exerce sobre a dinâmica do negócio.
A reforma cria um novo modelo (CBS e IBS) com uma lógica de não cumulatividade que, na teoria, parece justa. Na prática, porém, pode ser traiçoeira, já que o impacto não é direto: ele se dilui na operação e corrói o resultado final. Muitos só perceberão isso quando o lucro já tiver diminuído.
Como a Margem Desaparece Sem Aviso?
1. Aumento Silencioso da Carga Efetiva
O ponto é especialmente sensível para empresas que geram poucos créditos, como as do setor de serviços. Nesses casos, a carga efetiva tende a aumentar, reduzindo a margem de forma quase imperceptível.
Some-se a isso a complexidade da transição (2026-2032), período em que dois sistemas tributários coexistirão. A doutrina aponta que essa adaptação “vai requerer um esforço significativo e contínuo”, representando um custo operacional adicional que pressionará ainda mais as margens.
2. O "Crédito" que Não Compensa e o Caixa que "Seca"
O novo sistema depende da geração de créditos, mas o verdadeiro risco está no fluxo de caixa. Com o mecanismo de split payment, o imposto será retido na fonte.
Especialistas já alertam para o impacto direto no caixa das empresas, que passarão a recolher o tributo antecipadamente para só depois buscar a compensação.
Na prática, a empresa passa a financiar o governo. Se o volume de créditos a recuperar for elevado, o capital de giro fica comprometido, o que pode forçar a busca por empréstimos e aumentar o custo financeiro. Assim, a margem diminui não apenas pelo imposto, mas pelo custo do dinheiro.
3. O Repasse que o Mercado Não Aceita
A dificuldade de repassar custos ao consumidor é um fator crítico. Em mercados altamente competitivos, absorver o aumento da carga tributária para não perder clientes se torna, muitas vezes, uma decisão de sobrevivência — ainda que à custa da lucratividade.
4. Estrutura Inadequada que Amplia o Prejuízo
Aqui está um ponto fundamental. A falta de planejamento e de controle sobre a nova sistemática de apuração pode levar a erros e à perda de créditos.
A gestão simultânea dos saldos credores do sistema antigo e do novo exigirá uma adaptação relevante que, segundo a doutrina, “pode gerar incertezas e dificuldades operacionais significativas”.
Conclusão: Não é Sobre Imposto, é Sobre Estratégia!
A Reforma Tributária não é apenas uma mudança legal; ela altera a dinâmica econômica dos negócios. O impacto não será imediato, mas progressivo.
Ignorar essa análise agora é assumir o risco de, no futuro, encontrar uma empresa menos lucrativa, menos competitiva e com sua sustentabilidade comprometida.
A hora de analisar cenários e ajustar a operação é agora!
