Área de Mata Atlântica na região da Fazendinha, entre Cotia e Carapicuíba, sofre pressão de empreendimentos e vira alvo de disputa judicial
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| Foto: José Cícero / Agência Pública |
Um novo empreendimento imobiliário na região da Granja Viana tem intensificado o debate sobre preservação ambiental diante do avanço do desmatamento em uma área de Mata Atlântica.
Segundo reportagem da Agência Pública, o projeto, conhecido como Vitta Fazendinha, está sendo implantado na região da Fazendinha, na divisa entre Cotia e Carapicuíba. Para viabilizar o loteamento de alto padrão, foi autorizada a supressão de mais de 47 mil metros quadrados de vegetação nativa.
A área faz parte de um território de aproximadamente 201 hectares de Mata Atlântica regenerada, considerado o maior remanescente florestal de Carapicuíba, maior, inclusive, que o Parque do Ibirapuera. Especialistas apontam que o local tem papel estratégico na regulação climática, além de abrigar nascentes e uma rica biodiversidade.
Levantamentos indicam que a região abriga mais de 100 espécies de animais, incluindo espécies sensíveis à perda de habitat, o que aumenta a preocupação com os impactos do desmatamento. Moradores relatam, inclusive, o aparecimento de animais desorientados após a derrubada da vegetação.
O licenciamento ambiental foi concedido com base em documentos antigos, anteriores às legislações ambientais mais rígidas atualmente em vigor, ponto que vem sendo questionado por ambientalistas. Para especialistas, a análise não considera o contexto atual de emergência climática e a importância dessas áreas verdes para o equilíbrio ambiental da região metropolitana.
Além do empreendimento já em execução, há o temor de que outros projetos avancem sobre a área. Dados oficiais apontam que centenas de milhares de metros quadrados da Fazendinha já possuem certificação para futuros loteamentos.
A situação gerou mobilização popular. Um abaixo-assinado contra o desmatamento reuniu milhares de assinaturas em poucos dias, enquanto organizações ambientais ingressaram com ações judiciais para tentar barrar a supressão da vegetação.
A disputa segue na Justiça. Uma decisão inicial chegou a suspender o desmatamento, mas posteriormente houve liberação parcial para continuidade das intervenções, enquanto o caso aguarda análise definitiva do Tribunal de Justiça de São Paulo.
