Músculo é saúde: entenda por que a massa muscular pode salvar sua vida

Pouco se fala sobre isso, mas a massa muscular pode ser determinante para a recuperação do organismo em momentos críticos

Foto: Agência Brasil 

Nutrição Modo On, por Grazi Fernandes

Pouca gente fala sobre isso, mas você precisa saber: seus músculos não servem apenas para moldar o físico ou construir estética. A função deles no corpo é muito maior: são uma reserva de saúde que ajuda a te manter vivo.

Provavelmente você conhece alguém que precisou passar por uma cirurgia delicada, ficar dias internado, enfrentar uma recuperação demorada e sofrida e que, de quebra, ainda perdeu boa parte da massa muscular. E posso te dizer uma coisa: na melhor das hipóteses, ainda bem que isso aconteceu.

Na doença, na cirurgia ou durante uma internação, é o músculo que sustenta o corpo.

Entenda

Isso acontece porque o organismo do paciente hospitalizado entra em um estado catabólico, ou seja, de quebra e redução das proteínas musculares.

Como ocorre

Imobilidade:

Ficar muito tempo deitado ou com pouca movimentação faz com que o músculo deixe de receber estímulos para se manter ou crescer.

Resposta inflamatória e estresse metabólico:

Doenças, internações e cirurgias aumentam a produção de substâncias inflamatórias. Com isso, o músculo é quebrado em partículas menores para gerar energia e fortalecer o sistema imunológico.

Baixa ingestão alimentar:
Pacientes internados geralmente comem pouco. Com isso, há ingestão inadequada de proteínas para compensar essa perda muscular.

Alterações hormonais e resistência anabólica:

Com o aumento de hormônios catabólicos (cortisol, glucagon e catecolaminas), os hormônios responsáveis pelo crescimento muscular (insulina, testosterona, GH e IGF-1) têm sua atuação reduzida.

O que dizem as pesquisas

De acordo com as principais sociedades mundiais focadas em nutrição clínica e terapia nutricional - ESPEN (Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo) e ASPEN (Sociedade Americana de Nutrição Parenteral e Enteral) -pessoas com baixa massa muscular apresentam:

  • Maior tempo de internação
  • Mais complicações clínicas
  • Pior recuperação
  • Maior risco de morte

Portanto, a massa muscular funciona como uma reserva metabólica, uma espécie de poupança do corpo que pode ser utilizada em momentos de necessidade.

Quem possui mais massa muscular se recupera melhor, fica menos tempo internado e tem menos complicações.

Quem está em maior risco de perda muscular?

A perda de massa muscular não ocorre apenas em casos de hospitalização. Veja se você se encaixa em algum dos grupos abaixo:
  • Idosos: o envelhecimento traz um fenômeno chamado sarcopenia, caracterizado pela perda progressiva de massa, força e função muscular.
  • Pacientes com doenças crônicas
  • Indivíduos com baixa ingestão de proteína
  • Pessoas que emagrecem rapidamente sem planejamento alimentar adequado
  • Sedentários, que não estimulam o crescimento muscular com treino de força
  • Pessoas com alta demanda de exercícios intensos sem alimentação adequada ao gasto energético
  • Mulheres no climatério e na menopausa, devido à queda do hormônio estrogênio e às mudanças na composição corporal

O que você pode fazer

A boa notícia é que você pode se prevenir com atitudes básicas no dia a dia:

  • Priorize uma alimentação equilibrada e nutritiva
  • Faça ao menos quatro refeições por dia, incluindo boas fontes de proteína
  • Inclua treinos de força na sua rotina, mesmo que não seja a atividade favorita da maioria das pessoas

Pode parecer simples, mas muitas pessoas subestimam o básico. E é exatamente por isso que o acompanhamento de um nutricionista e de um educador físico é essencial, para evitar erros e garantir que o cuidado com a saúde seja feito da forma correta.



 

 

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