Denunciante, que se identifica como não-binário, afirma ter sofrido comentários relacionados à sua identidade de gênero durante experiência de trabalho
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| Imagens retiradas do vídeo publicado nas redes sociais |
Apolloh Naranja Swan, que se identifica como não-binário, registrou boletim de ocorrência após relatar ter sido vítima de transfobia durante uma experiência de trabalho em um estabelecimento comercial de Cotia. O registro foi feito por meio da Delegacia Eletrônica da Polícia Civil e deverá ser analisado pela delegacia responsável pela área.
De acordo com o boletim de ocorrência, ao qual o Cotia e Cia teve acesso, a vítima afirma ter enfrentado situações que classificou como tratamento desrespeitoso relacionado à sua identidade de gênero durante o período em que realizava atividades no local.
Relato no boletim de ocorrência
Conforme o documento, uma das situações descritas envolve comentários que, segundo o relato, teriam colocado em dúvida sua identidade de gênero. No boletim, Apolloh afirma ter ouvido a seguinte frase:
“Você pode ser mulher lá fora, mas na sua certidão está que você é homem. Então você vai carregar peso como os outros homens daqui.”
Na sequência, ainda de acordo com a narrativa apresentada à polícia, outro comentário teria sido feito no mesmo contexto:
“Ela pode até ser mais forte que você, mas ela é menina, então não vai carregar peso. Você é homem, já te falei, você vai ser homem aqui dentro.”
O boletim também descreve um segundo episódio que teria ocorrido posteriormente no ambiente de trabalho. Segundo o registro, enquanto conversava com outro funcionário sobre atividades profissionais, a responsável pelo local teria interrompido o diálogo e feito uma advertência relacionada à forma como Apolloh deveria ser tratado.
“Já falei que ele é homem aqui dentro, não é para chamar de ‘ela’.”
As declarações constam no boletim de ocorrência como parte da narrativa apresentada à polícia e ainda deverão ser analisadas pelas autoridades responsáveis pelo caso.
@apollohswan ♬ som original - polly
Possível enquadramento e apuração
Apolloh também afirmou à reportagem que o boletim registrado pela internet teria sido posteriormente analisado com indicação inicial de possível enquadramento como injúria racial relacionada à LGBTfobia, conforme interpretação apresentada no registro policial.
Em nota enviada ao Cotia e Cia, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o caso é investigado pela Delegacia de Cotia. "A equipe da unidade está empenhada em diligências para esclarecer todas as circunstâncias dos fatos", disse.
A reportagem optou por não identificar o estabelecimento citado no relato, uma vez que a denúncia ainda não foi apurada oficialmente pelas autoridades.
O Cotia e Cia também tentou contato com responsáveis pelo local mencionado na narrativa para comentar o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
No Brasil, decisões do Supremo Tribunal Federal equiparam atos de discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero aos crimes previstos na Lei do Racismo, podendo resultar em responsabilização penal quando comprovados.
A reportagem optou por não identificar o estabelecimento citado no relato, uma vez que a denúncia ainda não foi apurada oficialmente pelas autoridades.
O Cotia e Cia também tentou contato com responsáveis pelo local mencionado na narrativa para comentar o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
No Brasil, decisões do Supremo Tribunal Federal equiparam atos de discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero aos crimes previstos na Lei do Racismo, podendo resultar em responsabilização penal quando comprovados.
O termo “não binário” é usado para descrever pessoas cuja identidade de gênero não se enquadra exclusivamente nas categorias de homem ou mulher.
A expressão faz parte dos estudos sobre identidade de gênero e pode abranger diferentes formas de identificação, que variam de pessoa para pessoa.
