Feminicídios quase dobram no estado de SP e acendem alerta sobre violência contra a mulher

Estado registra alta de 96,4% em quatro anos; dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam agravamento no cenário nacional 

Foto: Agência Brasil 

O número de mulheres vítimas de feminicídio no estado de São Paulo praticamente dobrou em quatro anos. Em 2025, foram registrados 270 casos, contra 136 em 2021, um aumento de 96,4%, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (4) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Entre os estados do Sudeste, São Paulo concentra 41% das mortes. Para a diretora executiva do FBSP, Samira Bueno, o crescimento expressivo chama atenção não apenas pelo volume absoluto, mas pelo ritmo da escalada. “Praticamente duplicou em quatro anos”, afirmou.

No cenário nacional, o avanço também preocupa. O Brasil contabilizou 1.568 feminicídios em 2025, alta de 14,5% em relação a 2021. Após um período de relativa estabilidade entre 2022 e 2024, o ano passado apresentou novo salto nos registros.

De acordo com o fórum, enquanto mortes ligadas à violência urbana apresentam redução, os assassinatos em contextos domésticos, familiares e afetivos seguem em crescimento. A entidade aponta que a violência baseada em gênero no espaço privado continua sendo um desafio estrutural, influenciado por desigualdades históricas, padrões culturais e falhas na rede de proteção.

Outro dado que reforça a gravidade do cenário é que, entre os casos analisados, 13,1% das vítimas possuíam Medida Protetiva de Urgência quando foram mortas. Para o FBSP, o número evidencia limitações na fiscalização e na efetividade das ações de proteção.

Apesar de o Brasil contar com legislação considerada avançada no enfrentamento à violência contra a mulher, e com o feminicídio prevendo a maior pena do Código Penal, especialistas avaliam que o desafio está na implementação das políticas públicas e na capacidade do Estado de agir preventivamente.

Em 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos em vigor, marco que reforça a necessidade de reflexão sobre os avanços conquistados e os obstáculos ainda presentes no combate à violência de gênero no país.

Com informações da Agência Brasil 
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