“Saúde Sem Desperdício”: projeto autoriza uso de exames da rede privada no SUS de Cotia

Proposta em tramitação na Câmara prevê que exames feitos por pacientes em clínicas particulares possam ser aproveitados na rede municipal

Foto: Prefeitura de Cotia 

Tramita na Câmara Municipal de Cotia o Projeto de Lei nº 6/2026, que institui a chamada Lei Saúde Sem Desperdício.

A proposta autoriza que exames laboratoriais, de imagem e outros diagnósticos realizados na rede privada sejam aproveitados para atendimento e continuidade de tratamento na rede pública municipal de saúde.

De autoria do vereador Johny Santos (PL), o texto estabelece que os exames particulares poderão ser utilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no município, desde que atendam a critérios técnicos e passem por avaliação de um profissional da rede pública.

De acordo com o projeto, para que o exame seja aceito, ele deverá ter sido realizado em estabelecimento regularizado, conter identificação do profissional responsável com registro no conselho de classe e estar dentro do prazo de validade clínica.

Procedimento administrativo

A proposta também cria um procedimento administrativo específico. O paciente que optar por fazer o exame na rede privada deverá comparecer à Secretaria Municipal de Saúde, ou unidade designada, para validar os documentos e registrar a realização do procedimento.

Após essa etapa, o nome do paciente será retirado da fila correspondente ao exame já realizado. O texto ressalta que essa retirada não caracteriza privilégio ou quebra de isonomia, mas tem como finalidade liberar vagas para outros pacientes que aguardam atendimento pelo SUS.

O projeto ainda determina que a repetição de exames já feitos só poderá ocorrer mediante justificativa técnica do profissional de saúde responsável.

Justificativa

Na justificativa apresentada à Câmara, o autor argumenta que a medida busca reduzir filas, evitar a repetição desnecessária de exames e promover economia aos cofres públicos.

Segundo o vereador, muitos moradores recorrem à rede privada diante da demora no atendimento público, mas acabam tendo que refazer os procedimentos pelo SUS, o que gera sobrecarga e desperdício.

O texto também afirma que a proposta não cria novas despesas obrigatórias para o município e poderá ser regulamentada pelo Executivo para definição dos fluxos operacionais.

O Projeto de Lei nº 6/2026 segue em tramitação nas comissões permanentes da Câmara Municipal de Cotia antes de ser levado à votação em plenário.
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