Ana Paula Donate, que vive hoje na Europa, lidera estudo que analisa, em tempo real, como a cannabis afeta bem-estar, sono e cognição; veja como participar
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| Ana Paula Donate. Foto: Arquivo Pessoal |
A brasileira Ana Paula Donate, ex-moradora de Cotia, está à frente de uma pesquisa internacional que analisa como o uso de maconha influencia a saúde mental, o sono e o funcionamento cognitivo no dia a dia.
Atualmente radicada na Europa, a pesquisadora atua na Universidade de Aarhus, na Dinamarca, em colaboração com a Erasmus University Rotterdam, na Holanda.
O estudo, desenvolvido em parceria com a pesquisadora Nora de Bode, busca compreender os efeitos positivos e negativos da cannabis ao longo da rotina cotidiana, indo além da visão simplificada que costuma classificar a substância apenas como benéfica ou prejudicial.
Segundo Ana Paula, a proposta é observar o uso da cannabis em contextos reais, fora do ambiente de laboratório. “Muitas pesquisas tratam a maconha de forma dicotômica. Nosso objetivo é mapear todo o espectro de efeitos, entendendo como eles variam ao longo do dia e em diferentes situações de uso”, explica.
Inclusão de vozes do hemisfério sul
Um dos diferenciais do projeto é a preocupação em ampliar a diversidade na produção científica, incluindo experiências de países do hemisfério sul, como o Brasil, que ainda são pouco representados em estudos que embasam políticas públicas e decisões em saúde.
“A maior parte do conhecimento disponível hoje vem de países do Norte Global. Incluir brasileiros é essencial para entender como fatores culturais, sociais e contextuais influenciam a relação entre cannabis e saúde mental”, afirma a pesquisadora.
Ciência em tempo real
A pesquisa utiliza a metodologia Ecological Momentary Assessment (EMA), considerada uma das mais avançadas na área. Por meio do celular, os participantes respondem a questionários curtos ao longo do dia, registrando informações sobre humor, atenção, pensamentos, sono e padrões de uso da substância quase em tempo real.
Essa abordagem reduz falhas de memória e permite identificar:
- variações sutis dos efeitos ao longo do dia;
- contextos que intensificam impactos positivos ou negativos;
- padrões de uso associados a possíveis prejuízos;
- dados mais fiéis à experiência real dos usuários.
Estudos desse tipo ainda são raros no hemisfério sul, o que torna a participação de brasileiros especialmente relevante.
Quem pode participar
A pesquisa é voluntária, anônima e realizada on-line pelo celular. Podem participar pessoas que usam maconha de forma recreativa, medicinal ou ambas. O estudo foi aprovado por comitê de ética europeu, e os dados são tratados de forma confidencial.
Os participantes respondem a questionários iniciais, avaliações cognitivas e pequenos formulários ao longo do dia. Como forma de agradecimento, há vale-presente para quem concluir a participação.
🔗 Link para participar (clique aqui).
Essa reportagem tem trechos de entrevista do site Smoke Buddies
