Uma reflexão sobre sofrimento psíquico, escuta e responsabilidade compartilhada na saúde mental de adolescentes
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Coluna Razão de Crescer, por Evenyn Uchôa
A adolescência hoje acontece em um mundo que exige presença, desempenho, posicionamento e felicidade, tudo ao mesmo tempo. Um mundo que incentiva o discurso do “autocuidado, esqueça tudo à sua volta e cuide de você, só você pode cuidar de você”, mas que oferece pouco espaço real para o pedido de ajuda.
É nesse cenário que muitos adolescentes tentam sobreviver emocionalmente. E, às vezes, a dor que não encontra palavra encontra o corpo.
A autolesão não nasce do desejo de morrer. Na maioria das vezes, nasce do desejo de parar de sentir. É um recurso precário, silencioso e solitário de regulação emocional, quando não há outro caminho possível. Não é moda. Não é manipulação. E, definitivamente, não é falta de caráter ou fraqueza.
Vivemos uma cultura que romantiza o sofrimento apenas quando ele já virou superação. Quando já rendeu aprendizado, frase bonita ou uma bio inspiradora. Mas o sofrimento psíquico real, aquele que ainda dói, confunde e assusta, costuma ser apressado, silenciado ou tratado como exagero.
Adolescentes aprendem cedo que sentir demais cansa os outros. Que pedir ajuda incomoda. Que é melhor dar conta sozinho. E quando essa solidão emocional se prolonga, o corpo pode se tornar o único lugar possível de descarga.
Falar de saúde mental, especialmente na adolescência, precisa ir além de campanhas e discursos individuais. Saúde mental não é responsabilidade exclusiva de quem sofre. Ela é um dever coletivo. Das famílias, das escolas, das instituições, das políticas públicas e também das relações cotidianas. Pode parecer repetitivo se você já leu outros textos desta coluna, mas é necessário fortalecer esse discurso, contribuindo para dar voz a quem precisa.
Cuidar não é vigiar excessivamente, punir ou ameaçar. Não é exigir explicações rápidas nem respostas prontas. Cuidar é sustentar presença quando não há clareza. É escutar sem transformar a dor em choque ou espetáculo. É não reduzir o adolescente ao comportamento, mas tentar compreender o que ele está tentando comunicar.
Talvez o maior gesto preventivo que possamos oferecer seja resgatar algo simples e cada vez mais raro: redes de apoio vivas, onde pedir ajuda não seja sinônimo de fracasso, mas de humanidade.
Empatia não é concordar com tudo. É reconhecer que ninguém deveria atravessar a própria dor sozinho. E que crescer emocionalmente não é aprender a aguentar mais, mas aprender que existem outros quando não se aguenta.
Enquanto sociedade, precisamos parar de ensinar jovens a serem fortes o tempo todo e começar a ensiná-los que não dar conta também é um lugar legítimo de cuidado. Porque quando a dor encontra escuta, o corpo já não precisa gritar.
E quando há vínculo, o sofrimento não precisa virar ferida para ser visto.
Para as famílias e adolescentes: sinais de atenção e primeiros gestos de cuidado
Alguns sinais não devem ser ignorados, especialmente quando aparecem de forma persistente:
Diante desses sinais, o mais importante não é investigar como um detetive, mas se aproximar como presença segura. Conversas precisam ser abertas, sem acusações ou ameaças, deixando claro que o adolescente não está sozinho e que pedir ajuda é possível.
Em alguns casos, enquanto o tratamento adequado ainda está sendo organizado, profissionais podem orientar estratégias temporárias de substituição sensorial, com o objetivo de reduzir danos e aliviar a intensidade das sensações ou dos pensamentos excessivos. Nunca como solução definitiva, mas como ponte para o cuidado.
Passar uma borracha no próprio corpo, usar um elástico puxando nos dedos, evitando lesões mais graves, ou recorrer a objetos sensoriais, como bolinhas de apertar e massinhas.
Buscar ajuda especializada não é exagero nem fracasso familiar. É um gesto de responsabilidade e amor.
Cuidar da saúde mental de um adolescente é reconhecer que ninguém deveria atravessar a própria dor sem apoio e que pedir ajuda também é uma forma de crescer.
É nesse cenário que muitos adolescentes tentam sobreviver emocionalmente. E, às vezes, a dor que não encontra palavra encontra o corpo.
A autolesão não nasce do desejo de morrer. Na maioria das vezes, nasce do desejo de parar de sentir. É um recurso precário, silencioso e solitário de regulação emocional, quando não há outro caminho possível. Não é moda. Não é manipulação. E, definitivamente, não é falta de caráter ou fraqueza.
Vivemos uma cultura que romantiza o sofrimento apenas quando ele já virou superação. Quando já rendeu aprendizado, frase bonita ou uma bio inspiradora. Mas o sofrimento psíquico real, aquele que ainda dói, confunde e assusta, costuma ser apressado, silenciado ou tratado como exagero.
Adolescentes aprendem cedo que sentir demais cansa os outros. Que pedir ajuda incomoda. Que é melhor dar conta sozinho. E quando essa solidão emocional se prolonga, o corpo pode se tornar o único lugar possível de descarga.
Falar de saúde mental, especialmente na adolescência, precisa ir além de campanhas e discursos individuais. Saúde mental não é responsabilidade exclusiva de quem sofre. Ela é um dever coletivo. Das famílias, das escolas, das instituições, das políticas públicas e também das relações cotidianas. Pode parecer repetitivo se você já leu outros textos desta coluna, mas é necessário fortalecer esse discurso, contribuindo para dar voz a quem precisa.
Cuidar não é vigiar excessivamente, punir ou ameaçar. Não é exigir explicações rápidas nem respostas prontas. Cuidar é sustentar presença quando não há clareza. É escutar sem transformar a dor em choque ou espetáculo. É não reduzir o adolescente ao comportamento, mas tentar compreender o que ele está tentando comunicar.
Talvez o maior gesto preventivo que possamos oferecer seja resgatar algo simples e cada vez mais raro: redes de apoio vivas, onde pedir ajuda não seja sinônimo de fracasso, mas de humanidade.
Empatia não é concordar com tudo. É reconhecer que ninguém deveria atravessar a própria dor sozinho. E que crescer emocionalmente não é aprender a aguentar mais, mas aprender que existem outros quando não se aguenta.
Enquanto sociedade, precisamos parar de ensinar jovens a serem fortes o tempo todo e começar a ensiná-los que não dar conta também é um lugar legítimo de cuidado. Porque quando a dor encontra escuta, o corpo já não precisa gritar.
E quando há vínculo, o sofrimento não precisa virar ferida para ser visto.
Para as famílias e adolescentes: sinais de atenção e primeiros gestos de cuidado
Alguns sinais não devem ser ignorados, especialmente quando aparecem de forma persistente:
- isolamento intenso ou afastamento abrupto de vínculos importantes;
- mudanças marcantes de humor, irritabilidade constante ou apatia;
- uso frequente de roupas que escondem o corpo, mesmo em contextos inadequados ao clima;
- marcas no corpo sem explicações claras ou evitadas;
- dificuldade em dormir, alimentar-se ou concentrar-se.
Diante desses sinais, o mais importante não é investigar como um detetive, mas se aproximar como presença segura. Conversas precisam ser abertas, sem acusações ou ameaças, deixando claro que o adolescente não está sozinho e que pedir ajuda é possível.
Em alguns casos, enquanto o tratamento adequado ainda está sendo organizado, profissionais podem orientar estratégias temporárias de substituição sensorial, com o objetivo de reduzir danos e aliviar a intensidade das sensações ou dos pensamentos excessivos. Nunca como solução definitiva, mas como ponte para o cuidado.
Passar uma borracha no próprio corpo, usar um elástico puxando nos dedos, evitando lesões mais graves, ou recorrer a objetos sensoriais, como bolinhas de apertar e massinhas.
Buscar ajuda especializada não é exagero nem fracasso familiar. É um gesto de responsabilidade e amor.
Cuidar da saúde mental de um adolescente é reconhecer que ninguém deveria atravessar a própria dor sem apoio e que pedir ajuda também é uma forma de crescer.
