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Falsa empresa em Cotia aplica golpe em candidatos a vaga de emprego

Seu José conta que viu anúncio de vaga para motorista na internet, mas ao escolher pelo aluguel de um veículo para trabalhar, realizou o pagamento antecipado de R$750, e nunca mais teve retorno; ao se dirigir no endereço informado, porteiro do condomínio disse que ele não era o primeiro a cair no golpe.

Foto: Divulgação 

Seu José*, 45, trabalha como motorista de transporte escolar na cidade de Cotia. Mas com a pandemia e a suspensão das aulas, ele acabou ficando desempregado, contando, apenas, com um auxílio do governo federal. Mas o valor mensal do benefício mal dava para suprir as necessidades básicas de sua família. Por esse motivo, José saiu em busca de emprego, mas foi difícil encontrar vaga em sua área. 

Foi somente no dia 30 de novembro que ele viu um anúncio na internet que chamou sua atenção. Uma empresa, com o nome de ‘Singular Express’, estava oferecendo vagas para motorista de transporte de cargas. Pelo contrato, o empregado deveria entregar medicamentos e produtos farmacêuticos nas regiões da Grande São Paulo durante um ano. Mas na prática, tudo não passou de um golpe. 

Uma representante da empresa, que se apresentou como Cláudia Queiroz, mandou uma mensagem no WhatsApp de José, dizendo que o formulário que ele preencheu tinha sido aprovado. Ao questionar qual seria o procedimento, Cláudia explicou que a empresa ajudaria com metade do valor do aluguel do veículo, até o final do contrato. Os outros 50%, segundo ela, ficaria por conta do contratado, que seria descontado, automaticamente, na folha de pagamento mensalmente. 

Para a locação, é exigido o valor do caução para a retirada do veículo e já começar a trabalhar. A empresa também ajuda com os 50% do valor do caução. Sendo assim, o contratado só terá que pagar 50% no ato da contratação”, completou Cláudia, em mensagem de texto. 

Ela então recomendou José imprimir, assinar e autenticar o contrato. “Por conta da pandemia, se o cartório estiver fechado, não se preocupe, podemos autenticar aqui na empresa”, disse. Depois disso, ele teria que enviar uma foto para gerar a ordem de pagamento. Assim feito, no dia seguinte, ele já poderia ir à empresa para retirar o veículo e começar a trabalhar. 

José então começou a providenciar a documentação. Disse a Cláudia que o cartório mais próximo a sua residência estava funcionando normalmente. “Então, vamos fazer assim: quando eu estiver com o valor, já mando a foto da CNH, porque eu estava contando que seria com o cartão de crédito”, escreveu para a Cláudia. 

Assim que recebeu a mensagem, por meio de áudio, Cláudia respondeu: “Senhor José, preciso saber se o senhor consegue imprimir e assinar esse contrato hoje e efetuar o pagamento hoje. Se o senhor conseguir, envia a foto da CNH para eu gerar o contrato aqui no sistema.” 

Sobre a possibilidade do pagamento ser com cartão de crédito, que José questionou, Cláudia explicou que a empresa estava “com problema no link e a gente não está conseguindo enviar o link para efetuar o pagamento através do cartão de crédito” e que “o pagamento estava sendo via depósito ou transferência bancária.” 

Ela então envia o contrato pelo WhatsApp, seu José imprime e vai até o cartório reconhecer firma. Feito isso, ele envia uma foto do contrato assinado e o comprovante da transferência exigida de R$ 750, que seria o valor do aluguel do carro. Isso aconteceu na quarta-feira da semana passada (2/12) e José teria três dias úteis para começar no novo emprego, ou seja, nesta segunda-feira (7/12). Mas não foi o que ocorreu. 

Após ter efetuado o pagamento, seu José tentou manter conversas com Cláudia pelo WhatsApp, mas ela parou de respondê-lo. Na segunda, ele foi até o endereço mencionado no CNPJ da empresa, no Parque Industrial San José, no Jardim Belizário, em Cotia. Mas ao chegar no local, se deparou apenas com o porteiro do condomínio, que disse que José não era o primeiro a ir atrás da suposta empresa naquele endereço. 

Me senti frustrado. Eu estava precisando [de emprego], e a pessoa vai e age de má-fé. O único dinheiro que eu tinha guardado para usar dentro de casa, se foi”, lamentou José, que registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Cotia. 

O Cotia e Cia entrou em contato na tarde desta quinta-feira (10/12) com a mulher que se apresentou como Cláudia ao seu José. A reportagem ligou por duas vezes, mas ela não atendeu. Ao fazer contato pelo WhatsApp, uma mensagem automática diz que ‘o Singular Express agradece seu contato. Como podemos ajudar?’. Na sequência, outra mensagem: “Agradecemos sua mensagem. Não estamos disponíveis no momento, mas responderemos assim que possível”. 

Até o fechamento desta reportagem, não houve mais contato.


*José é o nome fictício da vítima, que preferiu anonimato


Reportagem de Neto Rossi