Eric Conrado limpou apartamento e acendeu incenso para despistar cheiro dos corpos, diz polícia

Empresário permaneceu por 5h20 no imóvel e teria lavado pratos, passado pano no chão e colocado incenso próximo à porta; investigação aponta asfixia como causa preliminar das mortes

Foto: Polícia Civil 

O empresário Eric Conrado Alves de Almeida, de 41 anos, principal suspeito de matar a advogada Anna Gabriela Faria Lima, de 29 anos, e o filho dela, Raphael, de 6, em Cotia, teria limpado o apartamento antes de deixar o imóvel. Segundo a Polícia Civil, ele permaneceu por cinco horas e 20 minutos no local e pode ter tentado apagar vestígios do crime.

As informações foram apresentadas nesta quinta-feira (5), durante uma coletiva de imprensa com os delegados responsáveis pela investigação. De acordo com a delegada Mônica Gamboa, Eric teria lavado pratos, passado pano no chão, ajeitado a cama onde os corpos foram encontrados e colocado um incenso próximo à porta para tentar disfarçar o odor.

As câmeras de segurança do condomínio registraram a entrada de Eric, Anna Gabriela e Raphael no apartamento, na noite de domingo (1º), por volta das 21h40. O suspeito deixou o local sozinho às 2h15 da madrugada de segunda-feira (2).

“Ele ficou 5 horas e 20 dentro do apartamento. Nesse período, ele possivelmente praticou os crimes e fez a higienização do apartamento”, afirmou a delegada.

A polícia ainda não conseguiu determinar o horário exato das mortes. Os corpos foram encontrados na noite de terça-feira (3), por volta das 19h, após uma advogada que veio do interior de São Paulo comunicar o caso às autoridades. Segundo a investigação, as vítimas já estavam mortas havia aproximadamente 50 horas quando foram submetidas à perícia.

Causa das mortes foi asfixia, aponta exame preliminar

De acordo com a Polícia Civil, os exames preliminares realizados no Instituto Médico Legal (IML) de Cotia apontaram asfixia como causa das mortes de Anna Gabriela e Raphael.

A delegada Mônica Gamboa acompanhou as necropsias, mas informou que a investigação ainda aguarda os laudos oficiais para esclarecer detalhes sobre as circunstâncias das mortes.

Suspeito foi encontrado no Jaguaré

Eric foi localizado e preso na noite de quarta-feira (4), em uma residência no bairro do Jaguaré, na zona oeste da capital paulista.

Segundo a delegada, a polícia utilizou recursos de monitoramento e investigação telemática para rastrear o paradeiro do empresário. A localização foi possível após negociações e colaboração de familiares.

O imóvel foi descrito pelos investigadores como uma casa simples, com uma edícula escondida e de difícil acesso. A equipe precisou utilizar lanternas para chegar ao local.

A Polícia Civil também investiga se a mãe de Eric teve alguma participação no caso. Até o momento da coletiva, não havia confirmação de envolvimento criminoso. Segundo a delegada, essa possibilidade ainda seria apurada formalmente.

Eric ainda não havia sido interrogado

Até o momento da coletiva, Eric não havia prestado depoimento formal à Polícia Civil. O interrogatório estava previsto para começar na tarde desta quinta-feira (5).

A delegada esclareceu que o empresário não confessou os assassinatos. Segundo ela, ele apenas comunicou à própria advogada que havia dois corpos em determinado endereço e que seriam de sua namorada e do filho dela.

“Ele não fala que ele matou, ele noticia para a advogada que no determinado endereço tem dois corpos sobre a cama, e que esses corpos são da namorada e do filho dela”, explicou.

O suspeito teve a prisão temporária decretada por 30 dias e permanece custodiado na Delegacia Central de Cotia, em cela separada por questões de segurança.

Eric e Anna Gabriela haviam reatado o relacionamento

Durante a coletiva, a delegada Mônica Gamboa esclareceu que Eric e Anna Gabriela mantinham um relacionamento de aproximadamente três anos, marcado por separações e reconciliações.

Apesar de a polícia ter informado inicialmente que os dois eram ex-namorados, a delegada afirmou que eles haviam reatado o relacionamento no início de outubro e estavam juntos na época do crime.

Segundo Mônica, após a prisão, Eric se referiu à advogada como “a mulher da vida dele” e “o amor da vida dele”.

A investigação apura as circunstâncias das mortes e a possível motivação do crime. O caso é tratado como feminicídio e vicaricídio.
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