Se deu mal: criminoso tenta aplicar golpe em delegado da região e acaba preso

Golpista prometia liberar R$ 65,9 mil de um processo judicial, mas a desconfiança do delegado levou a investigação até o Litoral Paulista; veja o momento da prisão

Imagens: Polícia Civil de SP

Uma tentativa de aplicar o chamado golpe do falso advogado contra um delegado de Polícia da região acabou levando a Polícia Civil até uma suposta central de fraudes em Mongaguá, no litoral de São Paulo.

O suspeito foi preso em flagrante nesta quinta-feira (1º) - veja abaixo. Segundo o boletim de ocorrência obtido pelo Cotia & Cia, ele mantinha equipamentos utilizados para golpes e continuava operando contra possíveis vítimas.


O caso começou na quarta-feira (30), quando o delegado Adair Marques, coordenador do Setor de Investigações Gerais (SIG) de Carapicuíba, foi procurado por criminosos que se passaram inicialmente por seu advogado e, depois, por um suposto promotor de Justiça.

A abordagem informava que o delegado teria direito a receber R$ 65.948,26 referentes a um processo contra a Fazenda Pública do Estado de São Paulo.

Para dar aparência de legitimidade ao golpe, os criminosos chegaram a enviar um arquivo em PDF com uma sentença judicial falsificada, que utilizava indevidamente a assinatura de um juiz.

O delegado desconfiou da abordagem, encerrou o contato, procurou seu advogado verdadeiro e comunicou o caso à Polícia Civil. Ele não sofreu prejuízo financeiro.

Investigação levou policiais até Mongaguá

A partir dos contatos utilizados na tentativa de fraude, policiais do SIG de Carapicuíba empregaram técnicas de inteligência para rastrear a origem da ação. O levantamento apontou um imóvel no bairro Copacabana Paulista, em Mongaguá.

Os policiais foram até o endereço e encontraram o suspeito, apontado no boletim como responsável pela fraude. No imóvel, a equipe encontrou um notebook ligado, com acesso à página de consulta de processos do Tribunal de Justiça de São Paulo e pesquisas relacionadas ao advogado cuja identidade teria sido utilizada pelos criminosos.

Segundo o BO, o suspeito confessou aos policiais que vinha aplicando golpes virtuais havia cerca de um mês e admitiu ter sido responsável pelo contato com o delegado, utilizando as identidades do falso advogado e do suposto promotor.

O documento também aponta que ele teria relatado atuar em conjunto com outras pessoas, responsáveis, entre outras funções, pelo fornecimento de contas bancárias utilizadas para receber e pulverizar o dinheiro obtido nas fraudes.

Estrutura estava em funcionamento, diz polícia

A prisão ganhou um elemento ainda mais significativo porque, conforme registrado no boletim, os equipamentos encontrados no imóvel estavam sendo utilizados para a prática das fraudes.

Além do notebook, foram apreendidos dois celulares e sete chips, além de um veículo Hyundai Creta registrado em nome do suspeito. Um dos celulares, segundo o BO, seria utilizado especificamente nas atividades criminosas.

Foto: Polícia Civil de SP

A investigação aponta ainda que o grupo monitorava dados de processos reais e utilizava essas informações para tornar os golpes mais convincentes, além de recorrer à falsificação de documentos judiciais e à identidade de advogados e autoridades públicas.

O suspeito foi levado à 1ª DIG da DEIC, em Santos, onde teve a prisão em flagrante formalizada. O boletim registra, nesta fase da investigação, os crimes de estelionato na modalidade de fraude eletrônica tentada e associação criminosa.

A autoridade policial também representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, alegando a necessidade de aprofundar a investigação sobre os demais integrantes do grupo e sobre a movimentação financeira relacionada às fraudes. A decisão sobre a medida cabe à Justiça.


Postagem Anterior Próxima Postagem