Na coluna Odonto em Pauta, a Dra. Tatiane Zanholo explica como medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida podem interferir na saúde bucal e quais cuidados merecem atenção
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| Imagem feita com IA |
Odonto em Pauta, por Dra. Tatiane Zanholo
Nos últimos anos, as chamadas “canetas emagrecedoras” passaram a fazer parte das conversas de muitas famílias. Medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, conhecidos por marcas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, ganharam grande visibilidade por seus resultados no controle do diabetes e na perda de peso.
Mas, à medida que o uso desses medicamentos aumenta, uma nova questão começa a chamar a atenção dos profissionais da saúde: o que eles podem provocar na boca?
Até surgiu nas redes sociais a expressão “Ozempic mouth”, ou “boca de Ozempic”. É importante esclarecer que esse termo não representa um diagnóstico odontológico oficial. Porém, alguns efeitos associados a esses medicamentos podem, direta ou indiretamente, interferir na saúde bucal.
Boca seca merece atenção
Uma das alterações relatadas por alguns pacientes é a sensação de boca seca.
A saliva não serve apenas para deixar a boca úmida. Ela participa da limpeza natural dos dentes, ajuda a neutralizar os ácidos e contribui para a proteção do esmalte.
Quando a quantidade de saliva diminui, o paciente pode perceber a boca mais pegajosa, dificuldade para engolir determinados alimentos ou até alteração no hálito.
Se essa condição persistir, o ambiente bucal também pode se tornar mais favorável ao desenvolvimento de cáries.
Por isso, quem iniciou esse tipo de medicamento e começou a perceber a boca constantemente seca deve comentar tanto com o profissional responsável pelo tratamento médico quanto com o dentista.
Refluxo e vômitos também chegam aos dentes
Náuseas, refluxo e episódios de vômito podem acontecer principalmente durante a adaptação ou o aumento da dose de alguns desses medicamentos.
Para os dentes, existe um detalhe importante: o ácido que vem do estômago pode entrar em contato com o esmalte dentário.
Quando essa exposição acontece repetidamente, pode favorecer um processo chamado erosão dentária, no qual o esmalte vai sofrendo desgaste químico.
Com o tempo, podem aparecer sensibilidade, alteração de brilho e mudanças na superfície dos dentes.
Isso não significa que todas as pessoas que utilizam essas medicações terão problemas dentários. O objetivo é justamente conhecer esses possíveis efeitos para conseguir preveni-los.
E o mau hálito?
Alguns pacientes também relatam mudanças no hálito ou no paladar. A causa pode não estar diretamente no medicamento.
Boca seca, redução da ingestão de líquidos, mudanças bruscas na alimentação e alterações gastrointestinais podem participar desse processo.
Ou seja: às vezes, aquilo que o paciente percebe primeiro como “mau hálito” pode ser um sinal de que vale investigar como estão a hidratação, a produção de saliva, a alimentação e a própria saúde bucal.
Alguns pacientes também relatam mudanças no hálito ou no paladar. A causa pode não estar diretamente no medicamento.
Boca seca, redução da ingestão de líquidos, mudanças bruscas na alimentação e alterações gastrointestinais podem participar desse processo.
Ou seja: às vezes, aquilo que o paciente percebe primeiro como “mau hálito” pode ser um sinal de que vale investigar como estão a hidratação, a produção de saliva, a alimentação e a própria saúde bucal.
Preciso parar de usar a caneta?
Não.
Medicamentos para obesidade e diabetes devem ser utilizados com indicação e acompanhamento médico, e qualquer mudança no tratamento precisa ser discutida com o profissional responsável.
Do ponto de vista odontológico, a mensagem é outra: quem utiliza essas medicações deve contar ao dentista. Essa informação passa a fazer parte do histórico de saúde do paciente, assim como qualquer outro medicamento.
Manter boa hidratação, higiene bucal adequada, consultas odontológicas periódicas e observar sintomas como boca seca persistente, sensibilidade dentária, refluxo frequente ou alterações no hálito pode ajudar a prevenir problemas.
As canetas mudaram a forma como a medicina trata a obesidade e algumas doenças metabólicas. Agora estamos entendendo cada vez melhor que seus efeitos podem ir além da balança.
E a boca também pode contar uma parte dessa história.
Não.
Medicamentos para obesidade e diabetes devem ser utilizados com indicação e acompanhamento médico, e qualquer mudança no tratamento precisa ser discutida com o profissional responsável.
Do ponto de vista odontológico, a mensagem é outra: quem utiliza essas medicações deve contar ao dentista. Essa informação passa a fazer parte do histórico de saúde do paciente, assim como qualquer outro medicamento.
Manter boa hidratação, higiene bucal adequada, consultas odontológicas periódicas e observar sintomas como boca seca persistente, sensibilidade dentária, refluxo frequente ou alterações no hálito pode ajudar a prevenir problemas.
As canetas mudaram a forma como a medicina trata a obesidade e algumas doenças metabólicas. Agora estamos entendendo cada vez melhor que seus efeitos podem ir além da balança.
E a boca também pode contar uma parte dessa história.
