“Vamos sair de cabeça erguida”, diz vereador de Cotia após ser alvo da Operação Cátaros

Parlamentar afirmou que policiais não encontraram material ilícito em sua casa e que celular foi apreendido; investigação corre sob sigilo

Foto: MPSP


Em publicação nas redes sociais, o parlamentar afirmou ter sido surpreendido pela ação policial em sua residência e disse que não teve acesso ao conteúdo da investigação.

“A gente vai sair de cabeça erguida e muito mais forte. Não mudei meus caminhos e nem meus princípios e valores”, afirmou o vereador em um trecho de sua manifestação.

Segundo Serginho, os agentes realizaram uma busca em sua casa, mas, de acordo com ele, não encontraram nenhum material ilícito. O vereador informou ainda que seu celular foi apreendido para averiguação e que, conforme consta na decisão judicial, o aparelho deverá ser devolvido posteriormente.

“Até este momento, nem eu nem meu advogado tivemos acesso ao processo, que corre em segredo de Justiça”, escreveu. Segundo o parlamentar, seu advogado já protocolou um pedido para ter acesso aos autos.

Serginho também afirmou que, por não conhecer o conteúdo da investigação, não considera adequado discutir publicamente uma acusação que ainda não conhece em detalhes.

“Não seria honesto discutir publicamente uma acusação cujo conteúdo ainda não conheço”, afirmou.

O vereador declarou ainda que está à disposição das autoridades e que colaborou durante o cumprimento das medidas. “Não me escondi, não me escondo e não vou me esconder de nada. Colaborei do primeiro ao último minuto. Confio nas instituições e na minha defesa”, publicou.

(ERRATA: A imagem que ilustrava anteriormente esta reportagem foi substituída. A fotografia mostrava objetos apreendidos durante a Operação Cátaros, mas o material não foi apreendido na residência do vereador Sérgio Luiz de Freitas (Serginho Luiz). Para evitar qualquer associação indevida entre o parlamentar e os objetos exibidos, a imagem foi retirada e substituída.)



Operação Cátaros

A Operação Cátaros foi deflagrada na manhã de quinta-feira (20) pela Promotoria de Justiça de Cotia, com apoio da Polícia Civil e da Polícia Militar. Segundo o MPSP, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e duas prisões preventivas em 21 endereços de Cotia, São Paulo, Jandira, São Lourenço da Serra e Balneário Camboriú (SC).

Entre os alvos das buscas estão os vereadores Yago Bezerra (União), Serginho Luiz (PSB) e Eduardo Nascimento (PSB), além de seus gabinetes na Câmara Municipal de Cotia.

De acordo com o Ministério Público, a investigação busca desarticular um grupo suspeito de envolvimento em lavagem de dinheiro. O principal investigado é o candidato a deputado estadual Emerson Rocha, que segundo o órgão, possui antecedentes criminais e teria vínculo com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Durante as diligências, foram apreendidos veículos, celulares, computadores, cartões de memória, pen drives e documentos com anotações, materiais que, segundo o MPSP, poderão auxiliar no avanço das investigações.

A Câmara Municipal de Cotia informou que as buscas realizadas no Legislativo ocorreram exclusivamente nos gabinetes dos três vereadores e não envolveram os departamentos administrativos da Casa. O Legislativo afirmou ainda que não recebeu cópia dos mandados e, por isso, não dispõe de informações sobre o conteúdo da operação.

Até a publicação desta reportagem, Yago Bezerra, Eduardo Nascimento e Emerson Rocha não haviam divulgado posicionamentos públicos sobre a operação.
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