Evenyn Uchôa conduziu palestra na Câmara de Cotia e explicou como as bets podem afetar o cérebro, as relações familiares e a vida financeira
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| Foto: Juliano Barbosa |
A facilidade de apostar pelo celular, a promessa de dinheiro rápido e a sensação de recompensa a cada jogada podem esconder um problema que já chega às famílias: a dependência em jogos de azar.
O tema foi discutido na quinta-feira (13), durante a palestra “Ludopatia: causas e danos”, realizada no plenário da Câmara Municipal de Cotia.
Um dos principais destaques do encontro foi a participação da psicóloga Evenyn Uchôa, que conduziu a apresentação e explicou os mecanismos psicológicos e comportamentais envolvidos na dependência em apostas, além dos fatores que podem aumentar a vulnerabilidade ao problema.
Promovido pela Secretaria de Trabalho e Renda, o evento reuniu representantes do poder público e profissionais da saúde para discutir os impactos financeiros, emocionais e sociais provocados pelo jogo e as formas de prevenção e tratamento.
Um dos principais destaques do encontro foi a participação da psicóloga Evenyn Uchôa, que conduziu a apresentação e explicou os mecanismos psicológicos e comportamentais envolvidos na dependência em apostas, além dos fatores que podem aumentar a vulnerabilidade ao problema.
Promovido pela Secretaria de Trabalho e Renda, o evento reuniu representantes do poder público e profissionais da saúde para discutir os impactos financeiros, emocionais e sociais provocados pelo jogo e as formas de prevenção e tratamento.
Quando o jogo deixa de ser diversão
Para explicar como a dependência pode se desenvolver, Evenyn apresentou a história fictícia de Carlos, um homem jovem, com trabalho, família e uma vida aparentemente estável, que começou a apostar por curiosidade.
O que inicialmente parecia apenas uma forma de diversão passou, aos poucos, a ocupar espaço na rotina até que as apostas começaram a controlar sua vida.
“Todos os dias temos pequenos vícios que nos alimentam”, afirmou a psicóloga.
Segundo Evenyn, durante muito tempo os jogos de azar estavam associados a ambientes específicos e tinham acesso mais restrito. Com as plataformas digitais, porém, o jogo passou a estar disponível a qualquer momento, diretamente pelo celular.
A publicidade nas redes sociais e a atuação de influenciadores também foram apontadas como fatores que ampliam a exposição da população às apostas.
“Para quem você está dando palco? Onde você está clicando?”, questionou a psicóloga ao falar sobre a influência do conteúdo consumido nas redes.
O que acontece no cérebro
Durante a palestra, Evenyn apresentou estudos sobre alterações nos circuitos cerebrais relacionados à recompensa, tomada de decisão e controle dos impulsos.
A expectativa de ganhar pode manter a pessoa presa ao ciclo das apostas. Mesmo depois de acumular perdas, ela pode continuar jogando na tentativa de recuperar o dinheiro perdido.
A psicóloga destacou que não existe uma única causa para o desenvolvimento da dependência. Fatores genéticos, características individuais, condições de saúde mental e o ambiente em que a pessoa vive podem se combinar e aumentar os riscos.
Impulsividade, dificuldade para lidar com emoções e frustrações, exposição precoce aos jogos, problemas financeiros e falta de suporte emocional estão entre os fatores citados.
Ansiedade, depressão, TDAH, transtornos de humor e uso de substâncias também podem aparecer associados aos problemas com apostas.
“Todos somos vulneráveis, mas algumas pessoas apresentam fatores que aumentam essa possibilidade”, explicou.
Problema não afeta apenas quem aposta
Outro alerta feito por Evenyn é que os efeitos da dependência ultrapassam a pessoa que joga e podem atingir toda a família.
“É muito fácil pensar que a escolha está nas mãos da pessoa, mas o que a gente faz afeta a vida de quem está junto da gente”, afirmou.
A presidente do Fundo Social de Cotia e chefe de gabinete do vice-prefeito, Gleides Sodré, relatou que os impactos das apostas também já aparecem no atendimento social.
Segundo ela, há situações em que recursos destinados às necessidades básicas das famílias são utilizados em jogos e, posteriormente, essas pessoas procuram a rede socioassistencial.
Tratamento é possível
Profissionais do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) que participaram do encontro explicaram que pessoas com problemas relacionados às apostas já procuram a rede de saúde mental.
Um dos desafios, segundo as profissionais Priscila e Juliana, é manter os pacientes no tratamento. O preconceito e a dificuldade de reconhecer a dependência como um problema de saúde podem contribuir para o abandono do acompanhamento.
O serviço possui um grupo específico, chamado Sorte e Azar, voltado a pessoas com problemas relacionados aos jogos.
Evenyn também reforçou a importância de familiares e amigos observarem mudanças de comportamento e conversarem sobre o assunto sem julgamento.
Debate pode chegar à legislação municipal
O encontro também abriu espaço para discutir possíveis medidas de prevenção no município.
O chefe de gabinete do prefeito, Edgar de Souza, informou que o Gabinete trabalha em uma proposta de projeto de lei relacionada à publicidade de plataformas de apostas em Cotia.
A discussão mostrou que, por trás da facilidade de fazer uma aposta pelo celular, existe um problema que pode envolver saúde mental, endividamento, relações familiares e vulnerabilidade social.
Para Evenyn, reconhecer os sinais e buscar ajuda são passos importantes para interromper esse ciclo.
Onde buscar ajuda
Pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas à dependência em jogos podem procurar atendimento na rede de saúde mental do município.
CAPS AD – Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas
Rua Topázio, 318 – Jardim Nomura, Cotia.
