O que está por trás da greve dos coletores de lixo em Cotia?

Documento obtido pelo Cotia e Cia detalha o que foi discutido na reunião entre empresa, sindicatos e Prefeitura

Foto: Cotia e Cia 

A greve dos coletores de resíduos sólidos em Cotia e Embu das Artes colocou em discussão uma série de questões envolvendo os trabalhadores e a empresa responsável pelo serviço. 

Uma reunião realizada na quarta-feira (12), no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), definiu encaminhamentos para tentar solucionar o impasse.

O Cotia e Cia teve acesso à ata da reunião, que contou com representantes da Cotia Ambiental, da Prefeitura de Cotia e dos sindicatos que representam os trabalhadores.

A paralisação aconteceu na segunda-feira (10), em dois períodos: das 5h30 às 14h30 e das 16h à meia-noite. 

Segundo a ata, participaram cerca de 20% dos 500 a 550 trabalhadores representados pelo SIEMACO (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo), além dos 40 motoristas representados pelo SINDILIX (Sindicato dos Motoristas de Coleta de Lixo). 

O que os trabalhadores reivindicam

Durante a reunião, foram relatados problemas relacionados ao FGTS em atraso, convênio-farmácia, convênio médico e descontos de pensão alimentícia que, segundo os trabalhadores, não teriam sido repassados.

Também foram apontadas condições da frota dos caminhões, incluindo problemas em itens como freios e motores, além de questões envolvendo equipamentos de proteção individual (EPIs), como luvas, botas e uniformes.

O sindicato dos motoristas também citou questões relacionadas às férias e ao parcelamento em três vezes.

As situações constam na ata como reclamações apresentadas pelos trabalhadores e ainda serão analisadas a partir da documentação que deverá ser apresentada pela empresa.
 
Empresa terá prazo para apresentar documentos

A Cotia Ambiental deverá apresentar aos sindicatos, em até 10 dias corridos, documentos relacionados às reclamações. Depois, as entidades terão outros 10 dias para analisar o material.

A empresa informou na reunião que já havia regularizado parte dos recolhimentos do FGTS referentes a abril a julho de 2026. Segundo o representante, os pagamentos realizados corresponderiam a aproximadamente 20% dos valores em atraso.

Também ficou definido que a empresa irá abonar metade das horas da paralisação, enquanto a outra metade será compensada pelos trabalhadores.
 
Prefeitura mantém equipe de contingência

Em nova nota divulgada, a Prefeitura informou que mantém uma equipe de contingência para reduzir os impactos da greve.

Equipes municipais estão atuando emergencialmente nos pontos mais críticos, enquanto o município cobra da empresa o restabelecimento integral da coleta.

A Prefeitura afirma que mantém em dia os pagamentos previstos no contrato e que a execução regular do serviço é responsabilidade da empresa contratada.
 
Acordo prevê quitação de verbas trabalhistas

Segundo a Prefeitura, na audiência de quarta-feira foi firmado um acordo que prevê a quitação das verbas trabalhistas entre a empresa e os trabalhadores.

O município informou que acompanhará o cumprimento do acordo e intensificará a fiscalização dos serviços prestados pela empresa.
 
E a greve?

Os sindicatos assumiram o compromisso de não realizar novas paralisações durante as negociações.

Caso uma nova greve seja deliberada, ficou estabelecido que deverão ser mantidos pelo menos 70% dos serviços.

Uma nova audiência de mediação foi marcada para 31 de agosto, às 15h.

Enquanto isso, a Prefeitura afirma que continuará atuando nos pontos mais afetados e cobrando da empresa a retomada integral da coleta.
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