Defesa de Serginho Luiz diz que vereador não é acusado de crime na Operação Cátaros

Advogados afirmam que não há denúncia ou imputação contra o parlamentar e contestam associação dele a materiais apreendidos na investigação

Foto: Câmara de Cotia 

A defesa do vereador de Cotia Sérgio Luiz de Freitas, o Serginho Luiz (PSB), divulgou uma nota nesta sexta-feira (21) contestando informações divulgadas após a Operação Cátaros, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) na quinta-feira (20).

Segundo os advogados, o vereador não é acusado de nenhum crime, não foi denunciado e não há imputação contra ele nos autos. A defesa também afirma que não existe, no processo, elemento que vincule Serginho a uma organização criminosa.

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Os advogados questionaram ainda publicações que utilizaram imagens relacionadas à operação ao lado de fotografias do vereador. Segundo a defesa, os objetos exibidos nas imagens não foram apreendidos com Serginho e nenhum deles é atribuído a ele no processo.

Materiais apreendidos durante a operação. Foto: MPSP

O que diz a defesa

De acordo com a nota, o processo investiga crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa atribuídos a terceiros.

A defesa afirma que Serginho não fazia parte do procedimento inicialmente instaurado e que seu nome foi incluído em 10 de agosto de 2026, a pedido do Ministério Público.

Os advogados dizem ainda que, nas 2.162 páginas do processo, há apenas uma referência ao vereador, relacionada à afirmação de que uma equipe de vigilância teria identificado um “contato aproximado” entre ele e o principal investigado.

Segundo a defesa, porém, não há indicação de data, local, teor ou finalidade desse contato. Os advogados afirmam também que não existe, nos autos, operação financeira, bem, empresa, mensagem ou documento relacionado ao vereador.

A nota sustenta ainda que o CPF de Serginho não aparece nos relatórios de inteligência financeira anexados ao processo. A defesa informa que os sigilos bancário e fiscal do vereador foram quebrados em relação aos últimos cinco anos, mas afirma que, posteriormente, nenhuma medida patrimonial ou cautelar pessoal foi determinada contra ele.

Outro questionamento apresentado pelos advogados diz respeito ao relatório de vigilância mencionado no processo. Segundo eles, o documento não foi juntado aos autos. A defesa afirma ter protocolado uma petição pedindo que o relatório seja apresentado ou que seja certificada sua inexistência, além de solicitar informações sobre os elementos considerados pelo Judiciário para autorizar a busca.
 
Operação Cátaros

A operação foi realizada pelo MPSP, com apoio da Polícia Civil e da Polícia Militar, para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As diligências atingiram 21 endereços em Cotia, São Paulo, Jandira, São Lourenço da Serra e Balneário Camboriú (SC). Também foram cumpridas duas prisões preventivas, segundo o Ministério Público.

Em Cotia, foram realizadas buscas nos gabinetes dos vereadores Yago Bezerra (União), Serginho Luiz (PSB) e Eduardo Nascimento (PSB). A Câmara Municipal informou que as diligências ocorreram exclusivamente nos gabinetes dos parlamentares e não envolveram os departamentos administrativos da Casa.

Foto: MPSP

De acordo com o Ministério Público, o principal investigado é o candidato a deputado estadual Emerson Rocha, que segundo o órgão, possui antecedentes criminais e teria vínculo com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

O MPSP informou que foram apreendidos veículos, celulares, computadores, cartões de memória, pen drives e documentos com anotações. Segundo o órgão, o material poderá auxiliar no avanço das investigações.

A defesa de Serginho reforça que o vereador recebeu os agentes em sua residência, franqueou o acesso e permanece no exercício do mandato, aguardando o andamento do processo.

Serginho já havia se manifestado nas redes sociais após a operação, afirmando que não teve acesso ao conteúdo da investigação e que estava à disposição das autoridades. “A gente vai sair de cabeça erguida e muito mais forte. Não mudei meus caminhos e nem meus princípios e valores”, declarou.

 

Até a publicação desta reportagem, Yago Bezerra, Eduardo Nascimento e Emerson Rocha não haviam divulgado posicionamentos públicos sobre a operação.
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