Levantamento compara 40 indicadores em áreas como saúde, educação, saneamento, segurança e habitação
![]() |
| Foto: Vagner Santos |
Cotia ocupa a 27ª posição entre os 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) no ranking geral do Mapa da Desigualdade, divulgado nesta quinta-feira (6).
O levantamento mostra que a cidade, com índice de 21,85, fica atrás de municípios vizinhos como Vargem Grande Paulista, Embu-Guaçu, Taboão da Serra e São Lourenço da Serra.
Ao mesmo tempo, Cotia aparece à frente de outras cidades da região, como Itapevi, Embu das Artes, Itapecerica da Serra e Juquitiba.
O estudo foi elaborado pela Rede Nossa São Paulo e pelo Instituto Cidades Sustentáveis e reúne 40 indicadores relacionados a diferentes áreas da vida da população.
Ao mesmo tempo, Cotia aparece à frente de outras cidades da região, como Itapevi, Embu das Artes, Itapecerica da Serra e Juquitiba.
O estudo foi elaborado pela Rede Nossa São Paulo e pelo Instituto Cidades Sustentáveis e reúne 40 indicadores relacionados a diferentes áreas da vida da população.
A proposta é mostrar as diferenças sociais, econômicas e de acesso a serviços públicos existentes entre os 39 municípios da maior região metropolitana do país.
Entre os municípios da região, a diferença é ainda mais evidente quando comparados os extremos.
Vargem Grande Paulista aparece em 4º lugar, com índice de 25,78, enquanto Itapevi ocupa a 34ª posição (20,73), Embu das Artes está em 35º (20,46) e Itapecerica da Serra aparece em 36º (20,10).
A comparação evidencia uma das principais conclusões do estudo: a proximidade geográfica não significa necessariamente condições semelhantes de vida. Municípios que compartilham deslocamentos diários, redes de emprego e serviços apresentam diferenças consideráveis nos indicadores sociais.
Saneamento mostra grandes diferenças
Entre os principais contrastes identificados está o acesso ao saneamento básico.
Enquanto Poá, Santo André e Taboão da Serra possuem atendimento universal de rede de esgoto, Juquitiba registra cobertura de apenas 19,5% da população.
No abastecimento de água, 11 municípios apresentam atendimento universal. Já São Lourenço da Serra e Juquitiba atendem apenas cerca de metade de seus moradores.
A coleta seletiva também apresenta diferenças expressivas. Em oito cidades, o serviço alcança toda a população. Em Suzano, por outro lado, somente 1,7% dos habitantes têm acesso à coleta seletiva, enquanto o índice de São Lourenço da Serra é de 3%.
Diferença na idade média ao morrer chega a 16 anos
Na área da saúde, o estudo reúne 14 indicadores, entre eles mortalidade infantil, mortalidade materna, desnutrição infantil, gravidez na adolescência e cobertura vacinal.
Um dos dados mais marcantes é a diferença na idade média ao morrer.
Em São Caetano do Sul, o indicador chega a 76 anos, enquanto em Francisco Morato é de apenas 60 anos, uma diferença de 16 anos dentro da mesma região metropolitana.
São Caetano do Sul e Santo André são os únicos municípios em que a idade média ao morrer ultrapassa 70 anos. Em outras 14 cidades, o indicador fica abaixo de 65 anos.
A vacinação também apresenta forte disparidade. Vargem Grande Paulista lidera, com 99,8% da população-alvo imunizada. Já Rio Grande da Serra registra 29%, seguida por São Lourenço da Serra (32%) e Jandira (34%).
Educação: um em cada três jovens não conclui o ensino médio
Na educação, o levantamento aponta que 66,5% dos jovens de 18 e 19 anos concluíram o ensino médio na Região Metropolitana de São Paulo.
Os melhores resultados são de Guararema (86%), Juquitiba (79%) e Poá (79%). Salesópolis aparece na última colocação, com 52%.
Na capital, o índice é de 59,8%, abaixo da média regional.
Deslocamento também revela desigualdade
A mobilidade urbana é outro dos pontos analisados pelo estudo.
Em Francisco Morato, 52% das pessoas com renda inferior a meio salário mínimo levam mais de uma hora para chegar ao trabalho. O percentual é de 42% em Ferraz de Vasconcelos e 37% na capital paulista.
Segundo os responsáveis pelo levantamento, os números mostram que a desigualdade não depende apenas da distância entre casa e trabalho, mas também da distribuição de empregos, da infraestrutura de transporte e da integração entre os municípios.
Maior PIB não significa melhor qualidade de vida
O estudo também aponta que a riqueza produzida por um município não necessariamente se transforma em melhores condições de vida para seus moradores.
Cajamar apresenta o maior PIB per capita da RMSP, de aproximadamente R$ 312,7 mil por habitante. Já Francisco Morato registra cerca de R$ 13,5 mil, uma diferença de aproximadamente 23 vezes.
São Paulo possui PIB per capita próximo de R$ 93 mil.
Os pesquisadores destacam que o PIB per capita mede a produção econômica e não representa necessariamente a renda efetivamente recebida pela população ou a distribuição dessa riqueza.
Habitação é outro retrato das desigualdades
Na habitação, Mauá possui a maior proporção de moradores vivendo em favelas e comunidades urbanas, com 27,5% da população. Na sequência aparecem Itaquaquecetuba (24,7%) e Diadema (22,3%).
Na cidade de São Paulo, o percentual é de aproximadamente 15%.
Por outro lado, sete municípios não registraram moradores vivendo em favelas ou comunidades urbanas nesse indicador: Guararema, Juquitiba, Salesópolis, Santa Isabel, São Caetano do Sul, São Lourenço da Serra e Vargem Grande Paulista.
Ranking completo da Grande São Paulo
![]() |
| Arte: Cotia e Cia |
Cotia está no meio da tabela
Com índice de 21,85 pontos, Cotia aparece na 27ª colocação, empatada numericamente com Biritiba Mirim, que ocupa a 26ª posição no ranking apresentado.
A cidade fica atrás de municípios próximos com desempenho superior, como Vargem Grande Paulista (4º), Embu-Guaçu (21º), Taboão da Serra (30º) - atenção: aqui Taboão está abaixo de Cotia; portanto, na comparação regional, Cotia fica à frente de Taboão e São Lourenço da Serra (31º).
Com índice de 21,85 pontos, Cotia aparece na 27ª colocação, empatada numericamente com Biritiba Mirim, que ocupa a 26ª posição no ranking apresentado.
A cidade fica atrás de municípios próximos com desempenho superior, como Vargem Grande Paulista (4º), Embu-Guaçu (21º), Taboão da Serra (30º) - atenção: aqui Taboão está abaixo de Cotia; portanto, na comparação regional, Cotia fica à frente de Taboão e São Lourenço da Serra (31º).
Entre os municípios da região, a diferença é ainda mais evidente quando comparados os extremos.
Vargem Grande Paulista aparece em 4º lugar, com índice de 25,78, enquanto Itapevi ocupa a 34ª posição (20,73), Embu das Artes está em 35º (20,46) e Itapecerica da Serra aparece em 36º (20,10).
A comparação evidencia uma das principais conclusões do estudo: a proximidade geográfica não significa necessariamente condições semelhantes de vida. Municípios que compartilham deslocamentos diários, redes de emprego e serviços apresentam diferenças consideráveis nos indicadores sociais.
São Caetano do Sul lidera ranking
Na classificação geral, São Caetano do Sul aparece na primeira posição, com índice de 29 pontos. Na sequência estão Santana de Parnaíba (27,66), Ribeirão Pires (27,39), Vargem Grande Paulista (25,78) e Poá (25,68).
Na outra ponta, Pirapora do Bom Jesus aparece em último lugar, com 17,02 pontos. Também estão entre as menores pontuações Francisco Morato (18,12), Juquitiba (20,10), Itapecerica da Serra (20,10) e Embu das Artes (20,46).
A cidade de São Paulo, apesar de concentrar grande parte da infraestrutura, dos empregos e da atividade econômica da região, aparece apenas na 16ª posição, com 23,51 pontos.
Os pesquisadores ressaltam que a colocação geral não significa que um município tenha bons resultados em todos os indicadores. Uma cidade pode apresentar desempenho positivo em determinadas áreas e, ao mesmo tempo, enfrentar problemas importantes em outras.
Na classificação geral, São Caetano do Sul aparece na primeira posição, com índice de 29 pontos. Na sequência estão Santana de Parnaíba (27,66), Ribeirão Pires (27,39), Vargem Grande Paulista (25,78) e Poá (25,68).
Na outra ponta, Pirapora do Bom Jesus aparece em último lugar, com 17,02 pontos. Também estão entre as menores pontuações Francisco Morato (18,12), Juquitiba (20,10), Itapecerica da Serra (20,10) e Embu das Artes (20,46).
A cidade de São Paulo, apesar de concentrar grande parte da infraestrutura, dos empregos e da atividade econômica da região, aparece apenas na 16ª posição, com 23,51 pontos.
Os pesquisadores ressaltam que a colocação geral não significa que um município tenha bons resultados em todos os indicadores. Uma cidade pode apresentar desempenho positivo em determinadas áreas e, ao mesmo tempo, enfrentar problemas importantes em outras.
Saneamento mostra grandes diferenças
Entre os principais contrastes identificados está o acesso ao saneamento básico.
Enquanto Poá, Santo André e Taboão da Serra possuem atendimento universal de rede de esgoto, Juquitiba registra cobertura de apenas 19,5% da população.
No abastecimento de água, 11 municípios apresentam atendimento universal. Já São Lourenço da Serra e Juquitiba atendem apenas cerca de metade de seus moradores.
A coleta seletiva também apresenta diferenças expressivas. Em oito cidades, o serviço alcança toda a população. Em Suzano, por outro lado, somente 1,7% dos habitantes têm acesso à coleta seletiva, enquanto o índice de São Lourenço da Serra é de 3%.
Diferença na idade média ao morrer chega a 16 anos
Na área da saúde, o estudo reúne 14 indicadores, entre eles mortalidade infantil, mortalidade materna, desnutrição infantil, gravidez na adolescência e cobertura vacinal.
Um dos dados mais marcantes é a diferença na idade média ao morrer.
Em São Caetano do Sul, o indicador chega a 76 anos, enquanto em Francisco Morato é de apenas 60 anos, uma diferença de 16 anos dentro da mesma região metropolitana.
São Caetano do Sul e Santo André são os únicos municípios em que a idade média ao morrer ultrapassa 70 anos. Em outras 14 cidades, o indicador fica abaixo de 65 anos.
A vacinação também apresenta forte disparidade. Vargem Grande Paulista lidera, com 99,8% da população-alvo imunizada. Já Rio Grande da Serra registra 29%, seguida por São Lourenço da Serra (32%) e Jandira (34%).
Educação: um em cada três jovens não conclui o ensino médio
Na educação, o levantamento aponta que 66,5% dos jovens de 18 e 19 anos concluíram o ensino médio na Região Metropolitana de São Paulo.
Os melhores resultados são de Guararema (86%), Juquitiba (79%) e Poá (79%). Salesópolis aparece na última colocação, com 52%.
Na capital, o índice é de 59,8%, abaixo da média regional.
Deslocamento também revela desigualdade
A mobilidade urbana é outro dos pontos analisados pelo estudo.
Em Francisco Morato, 52% das pessoas com renda inferior a meio salário mínimo levam mais de uma hora para chegar ao trabalho. O percentual é de 42% em Ferraz de Vasconcelos e 37% na capital paulista.
Segundo os responsáveis pelo levantamento, os números mostram que a desigualdade não depende apenas da distância entre casa e trabalho, mas também da distribuição de empregos, da infraestrutura de transporte e da integração entre os municípios.
Maior PIB não significa melhor qualidade de vida
O estudo também aponta que a riqueza produzida por um município não necessariamente se transforma em melhores condições de vida para seus moradores.
Cajamar apresenta o maior PIB per capita da RMSP, de aproximadamente R$ 312,7 mil por habitante. Já Francisco Morato registra cerca de R$ 13,5 mil, uma diferença de aproximadamente 23 vezes.
São Paulo possui PIB per capita próximo de R$ 93 mil.
Os pesquisadores destacam que o PIB per capita mede a produção econômica e não representa necessariamente a renda efetivamente recebida pela população ou a distribuição dessa riqueza.
Habitação é outro retrato das desigualdades
Na habitação, Mauá possui a maior proporção de moradores vivendo em favelas e comunidades urbanas, com 27,5% da população. Na sequência aparecem Itaquaquecetuba (24,7%) e Diadema (22,3%).
Na cidade de São Paulo, o percentual é de aproximadamente 15%.
Por outro lado, sete municípios não registraram moradores vivendo em favelas ou comunidades urbanas nesse indicador: Guararema, Juquitiba, Salesópolis, Santa Isabel, São Caetano do Sul, São Lourenço da Serra e Vargem Grande Paulista.
Ranking completo da Grande São Paulo
- São Caetano do Sul – 29,00
- Santana de Parnaíba – 27,66
- Ribeirão Pires – 27,39
- Vargem Grande Paulista – 25,78
- Poá – 25,68
- Jandira – 24,90
- Suzano – 24,66
- Caieiras – 24,51
- Guararema – 24,46
- Cajamar – 24,30
- Santo André – 24,27
- São Bernardo do Campo – 23,78
- Arujá – 23,71
- Santa Isabel – 23,68
- Salesópolis – 23,61
- São Paulo – 23,51
- Barueri – 23,32
- Osasco – 23,32
- Mogi das Cruzes – 23,07
- Mairiporã – 22,68
- Embu-Guaçu – 22,45
- Rio Grande da Serra – 22,42
- Diadema – 22,41
- Mauá – 22,22
- Guarulhos – 21,90
- Biritiba Mirim – 21,85
- Cotia – 21,85
- Ferraz de Vasconcelos – 21,66
- Carapicuíba – 21,42
- Taboão da Serra – 21,37
- São Lourenço da Serra – 21,34
- Itaquaquecetuba – 21,15
- Franco da Rocha – 21,05
- Itapevi – 20,73
- Embu das Artes – 20,46
- Itapecerica da Serra – 20,10
- Juquitiba – 20,10
- Francisco Morato – 18,12
- Pirapora do Bom Jesus – 17,02
Estudo usa dados oficiais
Para elaborar o Mapa da Desigualdade, a Rede Nossa São Paulo e o Instituto Cidades Sustentáveis utilizaram bases oficiais, incluindo dados do Censo 2022 do IBGE, DataSUS, Censo Escolar do Inep e Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), entre outras fontes públicas.
O objetivo é oferecer um diagnóstico que ajude governos municipais e estadual a identificar prioridades e desenvolver políticas públicas para reduzir as diferenças entre os municípios.
O levantamento também aponta a necessidade de ações conjuntas em áreas que ultrapassam os limites de cada cidade, como transporte, habitação, saneamento, drenagem urbana, gestão de resíduos, ocupação de áreas de risco e distribuição de empregos.
Para elaborar o Mapa da Desigualdade, a Rede Nossa São Paulo e o Instituto Cidades Sustentáveis utilizaram bases oficiais, incluindo dados do Censo 2022 do IBGE, DataSUS, Censo Escolar do Inep e Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), entre outras fontes públicas.
O objetivo é oferecer um diagnóstico que ajude governos municipais e estadual a identificar prioridades e desenvolver políticas públicas para reduzir as diferenças entre os municípios.
O levantamento também aponta a necessidade de ações conjuntas em áreas que ultrapassam os limites de cada cidade, como transporte, habitação, saneamento, drenagem urbana, gestão de resíduos, ocupação de áreas de risco e distribuição de empregos.

