Leia o Saber Saúde, a coluna da Dra. Amanda Druziani
A menopausa é uma etapa natural da vida da mulher, definida após 12 meses consecutivos sem menstruar. No entanto, as mudanças hormonais podem começar alguns anos antes e provocar sintomas capazes de afetar o sono, o bem-estar, a vida profissional e os relacionamentos.
Entre as queixas mais comuns estão alterações menstruais, insônia, mudanças de humor, ressecamento vaginal, desconforto nas relações sexuais e os chamados fogachos — ondas repentinas de calor, geralmente acompanhadas de suor, vermelhidão e, algumas vezes, palpitação. Quando acontecem durante a noite, são conhecidos como suores noturnos e podem interromper repetidamente o sono.
A terapia hormonal da menopausa, popularmente chamada de reposição hormonal, continua sendo o tratamento mais eficaz para os fogachos e suores noturnos, bem como os outros sintomas da menopausa. Dependendo da forma utilizada e das necessidades de cada mulher, também pode melhorar sintomas vaginais, reduzir a perda de massa óssea, proteção cardiovascular e contribuir para uma melhor qualidade de vida.
Isso não significa, porém, que toda mulher deva receber hormônios. A indicação precisa considerar idade, tempo desde o início da menopausa, sintomas, histórico familiar e condições individuais de saúde. Em geral, a terapia hormonal pode ser contraindicada ou exigir avaliação especialmente cuidadosa em mulheres com histórico de determinados cânceres sensíveis a hormônios, trombose ou embolia, infarto, acidente vascular cerebral, sangramento vaginal sem causa esclarecida ou doença hepática importante.
Além disso, algumas mulheres não desejam utilizar hormônios. Para essas pacientes, já existem alternativas não hormonais, como alguns antidepressivos, medicamentos originalmente utilizados para dor neuropática e outras opções definidas conforme o perfil clínico. Mais recentemente, uma nova classe de tratamento passou a ampliar essas possibilidades.
O fezolinetanto, aprovado pela Anvisa em junho de 2026, é um medicamento oral e não hormonal indicado para o tratamento de fogachos e suores noturnos moderados a intensos associados à menopausa. Ele atua no cérebro, bloqueando o receptor da neurocinina 3, envolvido no controle da temperatura corporal. Em outras palavras, age diretamente no mecanismo que fica desregulado com a queda dos níveis de estrogênio.
Nos estudos que levaram à sua aprovação, o fezolinetanto reduziu de forma significativa a frequência e a intensidade dos fogachos. Após quatro semanas, a quantidade diária de episódios moderados a intensos diminuiu, em média, 53% entre as mulheres que receberam o medicamento, em comparação com uma redução de 32% no grupo que recebeu placebo.
Seu principal benefício é justamente oferecer uma opção específica para mulheres que não podem ou não querem utilizar a terapia hormonal. É importante entender, entretanto, que o fezolinetanto trata os sintomas vasomotores, ou seja, os fogachos e suores noturnos. Ele não trata necessariamente outras manifestações da menopausa, como ressecamento vaginal, nem oferece os mesmos efeitos da terapia hormonal sobre a perda óssea.
Também não se trata de um medicamento isento de riscos. Foram identificados casos raros, mas potencialmente graves, de lesão do fígado. Por isso, é necessário avaliar a função hepática antes do início do tratamento e realizar exames de controle durante o uso. O medicamento também pode interagir com outras medicações e deve ser utilizado somente com prescrição e acompanhamento médico.
A chegada do fezolinetanto não encerra a discussão sobre qual é o melhor tratamento para a menopausa. Ao contrário, reforça que existem diferentes caminhos. A escolha deve partir dos sintomas que realmente incomodam, das condições de saúde, das preferências da mulher e de uma avaliação individualizada. Menopausa não precisa significar resignação: quando os sintomas afetam a qualidade de vida, há tratamentos seguros e eficazes que merecem ser discutidos.
Bibliografia essencial
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