Entradas em residências sem mandado podem levar à anulação de processos, alerta advogado

Em entrevista ao Cotia e Cia, Mauro Ferreira cita um processo em tramitação em Vargem Grande Paulista para explicar como entradas em residências sem respaldo legal podem comprometer investigações

Mauro Ferreira, advogado criminalista 

Em entrevista ao Cotia e Cia, o advogado criminalista Mauro Ferreira chamou a atenção para o que considera uma "invasão de competências" entre as forças de segurança pública. Segundo ele, a falta de respeito às atribuições de cada instituição pode gerar problemas durante investigações e até levar à anulação de processos judiciais.

De acordo com o advogado, denúncias anônimas sobre a existência de drogas em uma residência, por exemplo, deveriam ser encaminhadas à Polícia Civil para que a corporação solicite um mandado de busca e apreensão ao Poder Judiciário.

"Se há uma denúncia anônima de que existe entorpecente dentro de uma casa, a Polícia Civil pode pedir um mandado de busca e apreensão. Se o juiz deferir, a entrada no imóvel ocorre de forma legal e as provas obtidas ficam legitimadas", explicou.

Mauro Ferreira ressaltou que, sem autorização do morador ou mandado judicial, a entrada em uma residência não pode ocorrer por livre iniciativa dos agentes. "Se o morador disser que não autoriza a entrada, é não. A regra é essa", afirmou.

Outro ponto abordado pelo advogado foi o uso das câmeras corporais. Segundo ele, em alguns casos, quando a defesa solicita as gravações, os vídeos encaminhados não mostram todo o contexto da abordagem, o que pode dificultar a análise da legalidade da ação policial.

Como exemplo, o criminalista citou um processo que tramita em Vargem Grande Paulista. Segundo ele, durante o depoimento, um policial confirmou que entrou em uma residência sem autorização do morador e sem ter solicitado permissão a qualquer pessoa, alegando que um cão farejador havia indicado a presença de drogas do outro lado da rua.

Para o advogado, situações como essa podem comprometer toda a investigação. "Esse tipo de situação gera uma discussão jurídica importante e pode levar à anulação do processo nas instâncias superiores, porque a entrada no imóvel ocorreu sem respaldo legal", concluiu.
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