Família de motociclista morto após perseguição em Cotia contesta versão da GCM

Caso ocorreu após acompanhamento tático da Guarda Municipal; parentes questionam informação sobre arma e apontam demora no socorro

Foto: Arquivo Pessoal 

A morte do motociclista Paulo Vitor Leite Rodrigues, de 26 anos, após uma perseguição envolvendo a Guarda Civil Municipal (GCM) de Cotia, segue gerando repercussão e questionamentos por parte da família da vítima.

O caso aconteceu na última segunda-feira (18) e terminou em um acidente de trânsito no cruzamento das ruas Piracicaba e Savana. Segundo a versão divulgada pela Prefeitura de Cotia, equipes da GCM realizavam patrulhamento de rotina quando identificaram uma motocicleta trafegando em alta velocidade e com a placa coberta por uma mochila.

Ainda de acordo com a administração municipal, o condutor teria desobedecido a ordem de parada e iniciado fuga pelas ruas da cidade. A prefeitura informou que, durante o acompanhamento tático, o motociclista realizou manobras perigosas e trafegou pela contramão em algumas vias até colidir contra um carro. Na sequência, a viatura da GCM também atingiu o veículo envolvido no acidente.

Paulo Vitor foi socorrido e encaminhado ao Hospital Regional de Cotia, mas não resistiu aos ferimentos. Em nota, a prefeitura afirmou que uma arma calibre 6,35 teria sido encontrada na jaqueta do jovem durante os procedimentos realizados após a ocorrência.

A versão apresentada pelas autoridades, porém, é contestada pela família. Em entrevista à Ponte Jornalismo, parentes afirmaram que Paulo não era criminoso e questionaram a informação de que ele estaria armado no momento da perseguição.

“Estão tentando passar ele como se ele fosse criminoso”, afirmou Antônio Campos, primo da vítima, à reportagem.

Segundo a família, marcas observadas no corpo do motociclista durante a autópsia levantaram dúvidas sobre a versão de que a arma estaria no bolso da jaqueta. Os parentes também alegam demora no atendimento de resgate após o acidente.

De acordo com Antônio Campos, vídeos gravados no local mostram Paulo consciente, pedindo ajuda e reclamando de dores enquanto aguardava atendimento. A família afirma que o socorro teria levado mais de duas horas para chegar.

No boletim de ocorrência, os guardas municipais relataram que o motociclista não obedeceu à ordem de parada e fugiu por diversas vias da cidade antes da colisão. O documento também registra que uma arma modelo Beretta calibre 6,35 foi encontrada com a vítima.

A Polícia Civil abriu investigação e solicitou exames necroscópico e toxicológico, além de perícia nos veículos envolvidos e na arma apreendida. O caso foi registrado como morte suspeita, porte ilegal de arma de fogo, apreensão de veículo e participação em corrida não autorizada em via pública.

Paulo Vitor trabalhava como entregador e, segundo familiares, utilizava a motocicleta para sustentar a casa e os dois filhos pequenos. Ele foi velado e sepultado na quarta-feira (20).

A morte do jovem motivou protestos em Cotia na noite de terça-feira (19). Durante a manifestação, um ônibus foi incendiado. O coletivo fazia a linha entre Vila Nova Esperança, em Itapevi, e a estação São Paulo–Morumbi do metrô. 

Texto com informações da Ponte Jornalismo
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