Ação reuniu rede de proteção, conselheiras tutelares e autoridades para discutir formas de enfrentar a violência contra crianças e adolescentes
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| Foto: Prefeitura de Cotia |
A cada hora, ao menos três crianças sofrem algum tipo de abuso no Brasil. O dado alarmante abriu a programação do Maio Laranja em Cotia, durante evento realizado nesta segunda-feira (18) pela Secretaria de Desenvolvimento Social no Centro Administrativo de Cotia (CAC).
O encontro reuniu representantes da rede de proteção, conselheiras tutelares, profissionais da assistência social, entidades sociais e autoridades municipais para debater formas de prevenção e enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes.
A abertura ficou por conta do grupo musical Guaçatom, formado por crianças e adolescentes de Caucaia do Alto e regido pela maestrina Isa Uheara. As apresentações emocionaram o público e deram o tom de sensibilização da campanha.
Durante o encontro, o secretário adjunto de Desenvolvimento Social, José Bertuol, destacou a importância do cuidado coletivo com a infância. “Crianças não nascem monstros, nascem anjos e nós estragamos, mas podemos cuidar das crianças e fazer um mundo melhor”, afirmou.
Já o presidente da Associação Filantrópica Criança Feliz, Paul Ledergerber, reforçou o papel das famílias na proteção infantil. “A formação das crianças começa em casa. A gente colabora, mas a principal tarefa é da família”, disse.
As profissionais presentes alertaram que a maioria dos casos de abuso ocorre dentro do círculo de confiança das vítimas, envolvendo familiares, conhecidos ou pessoas próximas. Segundo elas, isso torna a identificação ainda mais difícil.
A psicóloga Monalisa Cristina de Oliveira e as conselheiras tutelares Maria Cristina, Mara Evangelista, Shirlei Araújo, Camila Alves, Cristiane de Almeida e Daniele Bretanha destacaram sinais que podem indicar situações de violência, como mudanças bruscas de comportamento, isolamento, distúrbios do sono, medo excessivo e alterações alimentares.
Outro ponto de atenção foi o aumento dos casos de violência no ambiente virtual. As especialistas alertaram que crianças e adolescentes podem ser vítimas de abuso pela internet, principalmente em redes sociais, jogos on-line e aplicativos de conversa.
As conselheiras também chamaram atenção para situações frequentemente tratadas como normais no cotidiano, como obrigar crianças a abraçar ou beijar adultos contra a vontade. Segundo elas, ensinar limites e respeitar o corpo infantil são atitudes fundamentais para a prevenção.
“Ouvir salva vidas”, reforçou uma das participantes durante a roda de conversa, destacando que muitas vítimas demonstram sinais antes mesmo de conseguirem relatar os abusos.
A campanha Maio Laranja utiliza a flor amarela como símbolo da fragilidade da infância e da necessidade de proteção permanente. Durante o encontro, as profissionais reforçaram que denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100 ou pela Guarda Civil de Cotia, por meio do telefone 153.
“Não é dever apenas do Conselho Tutelar ou da rede de proteção. É dever de todos nós cuidar das crianças e adolescentes”, concluíram as participantes.
