Anticoncepção: Opções disponíveis e dúvidas mais frequentes

Leia o Saber Saúde, a coluna da Dra. Amanda Druziani


Falar sobre anticoncepção é, antes de tudo, falar sobre autonomia. Hoje, as mulheres têm à disposição uma variedade grande de métodos para evitar uma gravidez não planejada — tanto na rede privada quanto no sistema público — e entender essas opções é essencial para fazer escolhas alinhadas ao próprio corpo, rotina e momento de vida.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, não existe um método “melhor” de forma universal. O que existe é o método mais adequado para cada mulher. Algumas priorizam praticidade, outras querem evitar hormônios, enquanto há quem também busque benefícios adicionais, como melhora da acne ou redução das cólicas menstruais.

Entre as opções mais eficazes estão os chamados métodos de longa duração, como o DIU (dispositivo intrauterino) de cobre, DIU hormonal e o Implante hormonal (Implanom). Esses métodos têm ganhado destaque justamente porque reduzem o risco de falha humana — como esquecer de tomar um comprimido — e por isso são frequentemente recomendados, principalmente para mulheres jovens.

Ainda assim, métodos mais tradicionais, como a pílula anticoncepcional, continuam sendo amplamente utilizados. Ela pode ser uma boa escolha para quem consegue manter uma rotina diária e também deseja benefícios adicionais, como controle do ciclo menstrual ou melhora de sintomas hormonais.

As injeções anticoncepcionais aparecem como uma alternativa intermediária, exigindo aplicações mensais ou trimestrais. Existe ainda o anel vaginal e os adesivos, também hormonais e contém estrogênio e progesterona.

Os métodos de barreira, como o preservativo, seguem indispensáveis. Além de ajudarem a prevenir a gravidez, são os únicos que protegem contra infecções sexualmente transmissíveis. Por isso, mesmo quem usa outro método costuma ser orientado a manter o uso da camisinha, especialmente em relações com novos parceiros.

Para quem já tem filhos ou tem certeza de que não deseja engravidar, existem os métodos definitivos, como a laqueadura e a vasectomia. São opções eficazes, mas que exigem reflexão, já que a reversão nem sempre é possível.

No Brasil, o sistema público de saúde oferece gratuitamente diversas dessas alternativas, incluindo preservativos, pílulas, injetáveis, o DIU de cobre, a pílula do dia seguinte e procedimentos definitivos. Mais recentemente, o implante hormonal também começou a ser incorporado de forma mais ampla, ampliando o acesso a métodos modernos e altamente eficazes.


Dúvidas que mais escuto no meu consultório:

Anticoncepcional causa trombose?

Esse risco existe, mas precisa ser entendido com clareza e sem alarmismo. A trombose venosa está principalmente associada aos anticoncepcionais que contêm estrogênio, como a maioria das pílulas combinadas, injeção mensal, adesivos e anéis vaginais.

De forma geral, o risco absoluto é baixo em mulheres saudáveis. Para se ter uma ideia, entre mulheres que não usam anticoncepcionais hormonais, a ocorrência de trombose é de cerca de 2 casos a cada 10 mil por ano. Com o uso de pílulas combinadas, esse número pode subir para algo entre 6 e 12 casos a cada 10 mil mulheres por ano. Ou seja, há um aumento relativo do risco, mas ele ainda é considerado baixo na população geral. Esse risco, no entanto, não é igual para todas e deve ser considerado pelo seu médico.

Demora pra engravidar após parar o anticoncepcional?

De forma geral, não, o anticoncepcional não causa demora para engravidar após a suspensão. A fertilidade costuma retornar rapidamente, mas esse tempo pode variar conforme o método utilizado e as características individuais de cada mulher. No caso da pílula anticoncepcional, Implanom, adesivo ou anel vaginal, a ovulação pode voltar já no ciclo seguinte.

Já os métodos de longa duração têm comportamentos diferentes. O DIU, tanto o de cobre quanto o hormonal, permite um retorno praticamente imediato da fertilidade assim que é retirado.

A exceção mais conhecida é a injeção anticoncepcional trimestral. Nesse caso, pode haver um atraso maior para o retorno da ovulação, que varia em média de alguns meses até cerca de um ano após a última aplicação. Isso acontece porque o hormônio permanece no organismo por mais tempo.

Anticoncepcional diminui a libido?

Resposta: Sim. Em maior ou menor grau, os métodos hormonais diminuem a libido da mulher. O único que tem menor impacto sobre a libido é o DIU hormonal por ter ação local.

Quando a paciente é candidata ao DIU de cobre, ele é sempre o meu preferido, pois é o único não hormonal e que não impacta na libido da paciente, além de durar 10 anos e não depender da paciente lembrar de se prevenir.

Anticoncepcional engorda?

Os anticoncepcionais hormonais podem levar à retenção de líquido, o que dá a sensação de inchaço e, às vezes, um pequeno aumento na balança. Isso não significa necessariamente aumento de gordura corporal. Em muitos casos, essa retenção é temporária e tende a melhorar com o tempo ou com a troca do método. Ainda assim, esse efeito não acontece com todas e varia bastante de pessoa para pessoa.

Por outro lado, alguns métodos específicos, como a injeção trimestral de progesterona, têm uma associação um pouco mais consistente com ganho de peso ao longo do tempo — especialmente em uso prolongado. Ainda assim, não é uma regra, e o efeito varia bastante.

No fim das contas, a escolha do método contraceptivo ideal deve ser individualizada. Não é uma decisão que deve se basear apenas em experiências de amigas ou em conteúdos de redes sociais, mas sim em informação de qualidade e, sempre que possível, com orientação médica.

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