Roberto Carlos Rossato relatou problemas com câmaras de vacina quebradas, frota sucateada e falta de funcionários nas unidades
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| Imagem: Reprodução |
O secretário de Saúde de Cotia, Roberto Carlos Rossato, fez um relato contundente sobre os desafios enfrentados pela pasta durante audiência pública realizada na sexta-feira (27), na Câmara Municipal. Em tom direto, ele destacou entraves burocráticos, falhas estruturais nas unidades e dificuldades operacionais que, segundo ele, têm prejudicado o atendimento à população.
“Tem muita coisa a ser feita. E muito disso com pequenas ações a gente traz grandes resultados. São coisas muito simples. Mas, infelizmente, depende da parte administrativa. A burocracia é grande demais. Hoje o município, para gastar R$ 10, precisa licitar”, afirmou o secretário, ao comentar as dificuldades enfrentadas com os processos licitatórios.
Rossato disse que tem percorrido pessoalmente as unidades de saúde e que já elaborou um pré-diagnóstico com cerca de 40 páginas apontando problemas estruturais e operacionais. Entre os principais pontos levantados está a falta de manutenção básica e o número reduzido de funcionários.
Segundo ele, 95% das unidades apresentam problemas nas câmaras de conservação de vacinas. “Câmara de vacina quebrada, ar-condicionado quebrado, cadeira de rodas não tem. Se eu for levar um projeto de humanização na unidade hoje, a primeira coisa que vou escutar é isso”, declarou.
O secretário classificou como “inadmissível” a demora para resolver situações consideradas simples. Ele relatou que, há quase 45 dias, solicita o conserto das câmaras de vacina. Enquanto isso, veículos da frota municipal precisam transportar diariamente as doses em caixas térmicas para abastecer as unidades.
Hoje de manhã tinha seis ou sete veículos da frota sendo abastecidos com coolers com vacinas dentro dos carros para levar às unidades. Até por volta das 15h, depois o motorista precisa buscar novamente. É um absurdo falar do custo desse transporte e não consertar uma câmara de vacina que às vezes precisa de gás ou teve a placa queimada
Além do custo logístico, Rossato alertou para o risco de perda de imunizantes, problemas de acondicionamento e até redução no horário de atendimento ao público. “Consertar uma geladeira para eliminar todo esse problema é algo tão simples, mas hoje leva de três a quatro meses para ser feito. A burocracia é muito grande. Não é a prefeitura, não é aqui. A lei impõe isso. Só que cada município tem condições de flexibilizar suas ações”, ponderou.
Outro ponto abordado foi a situação da frota da Secretaria de Saúde, que também enfrenta dificuldades operacionais.
Perfil técnico
Economista e administrador de empresas formado pela Universidade IMES de São Caetano do Sul, Rossato é especializado em Suprimentos e Gestão da Saúde. Já atuou como gerente de Suprimentos na Eletropaulo, superintendente na Fundação Zerbini (Incor-SP), chefe de Gabinete da Secretaria de Fazenda de São Carlos, chefe de Gabinete da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, além de ter passagens pela Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo e pela Secretaria Municipal de Administração de São Bernardo do Campo.
À frente da pasta há cerca de 45 dias, ele afirmou que pretende implantar um trabalho de humanização nas unidades, ouvindo funcionários e usuários para identificar prioridades. No entanto, reforçou que, antes de projetos estruturantes, é preciso resolver problemas básicos que impactam diretamente o atendimento à população.
