Entenda os impactos práticos da nova tributação e por que o planejamento antecipado será decisivo para a saúde financeira dos negócios
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Coluna Lei & Negócios, Por Myrella Ávila Guardini
A Reforma Tributária finalmente saiu do papel. E o ponto-chave é este: as mudanças começam a pesar de verdade a partir de 2026. Em Cotia e cidades vizinhas, isso atinge todo mundo: do pequeno comércio da Granja Viana às indústrias, transportadoras e prestadores de serviço espalhados pela região.
O que muda, na prática?
O sistema atual, confuso, caro e cheio de armadilhas, começa a ser desmontado. Saem, aos poucos, PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS. Em seus lugares, entram a CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal). Na prática, teremos um IVA dual, operando com duas regras que mudam completamente o jogo. A primeira é a não cumulatividade plena, onde tudo o que a empresa pagar de imposto ao longo da cadeia de produção ou serviço vira crédito, eliminando o “crédito capenga” e discussões eternas. A segunda é a tributação no destino, que significa que o imposto será pago onde o produto ou serviço é consumido — e não onde a empresa está instalada. Resumindo: as mudanças trarão um IMPACTO DIRETO NO CAIXA, NA MARGEM E NO PREÇO FINAL de cada negócio.
Como cada setor em Cotia será afetado?
Para os prestadores de serviço, aqui mora o maior risco e também a maior oportunidade. Quem hoje paga apenas ISS pode ter um aumento de carga tributária, caso não se organize. Por outro lado, há a possibilidade de compensar impostos, usando créditos de insumos, tecnologia, aluguel, energia e serviços terceirizados, entre outros. Sem planejamento, o susto é inevitável. Com ele, é possível equilibrar a carga.
Já no comércio e varejo, espera-se uma mudança forte na formação de preços, na gestão de estoque e na margem de lucro. A tributação no destino altera o jogo para quem vende para fora do município ou do estado, e tentar manter o preço antigo com o imposto novo resultará, sem dúvida, em prejuízo.
No setor da indústria, tende-se a ganhar eficiência, desde que a lição de casa seja feita. A não cumulatividade plena permitirá a recuperação real de créditos, a redução do custo tributário e um significativo ganho de competitividade. Contudo, é fundamental atenção: contratos, fornecedores e a logística precisam ser revistos.
E para as empresas de logística e transportes, um setor vital em Cotia como eixo estratégico, a reforma busca acabar com a guerra fiscal. O resultado será um cenário de regras mais uniformes, menos “jeitinho” regional e a imperativa necessidade de um ajuste rápido em crédito, débito e precificação.
A urgência da preparação
Os anos de 2026 e 2027 serão de transição, com o sistema velho convivendo com o sistema novo. Esse é um terreno fértil para erros, e erro em imposto custa caro. Por isso, é fundamental agir agora
As empresas precisarão revisar seus sistemas (ERP, fiscal e contábil), pois o ajuste técnico leva tempo e não se resolve com um “botão mágico”. Rever preços e contratos, principalmente os de longo prazo, é igualmente crucial, já que uma cláusula mal elaborada pode se transformar em prejuízo.
Mapear a cadeia de custos, para saber onde nasce crédito e onde ele se perde, e treinar as equipes fiscal, financeira e de vendas, para que falem a mesma língua, são passos indispensáveis. Acima de tudo, a Reforma Tributária não é só risco; ela representa uma grande oportunidade para quem enxerga antes, transformando-a em um planejamento tributário estratégico.
Orientação especializada não é luxo. É estratégia!
A Reforma Tributária não é tema para improviso nem “achismo de contador”. Ela mexe com contrato, preço, margem, caixa e, essencialmente, com o modelo de negócio de sua empresa. Ter apoio jurídico e tributário agora significa evitar passivos futuros, tomar decisões com segurança e transformar a mudança em uma vantagem competitiva.
Quem se antecipa protege o negócio. Quem espera, paga a conta. O futuro tributário das empresas de Cotia e Região já começou. A pergunta é: você vai liderar ou correr atrás?
