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Hospital de Cotia: Enfermeiras relatam problemas dentro da unidade que podem aumentar contágio da covid

Falta de EPIs, pacientes infectados misturados com casos negativos e acompanhantes sem proteção devida podem aumentar o número de infecções, segundo as profissionais; Estado nega declarações.

Segundo o governo de SP, unidade é referência para a covid. Foto: Google


Pacientes que testaram negativo para covid-19 internados com pacientes diagnosticados com o vírus; permissão de acompanhantes que fazem apenas o uso de máscaras de pano dentro dos quartos com infectados; falta de proteção adequada para profissionais da saúde que trabalham em alas que não são UTIs. 

As situações acima foram relatadas por duas enfermeiras do Hospital Regional de Cotia (HRC) ao Cotia e Cia neste final de semana. Segundo elas, o risco para aumentar o contágio da doença dentro da unidade de saúde é grande. 

A Secretaria de Estado da Saúde, responsável pela administração do hospital, garantiu que ativaria mais dez leitos na Ala F, que hoje funciona como UTI para pacientes com Covid-19. E, de fato, isso aconteceu. Mas segundo as profissionais da saúde, o número de internações subiu tanto nos últimos dias que a ala já não está comportando mais pacientes. 

Realmente, abriram mais dez leitos de covid na ala F, que é UTI 2. Só que eles estão começando a mandar pacientes para a ala G também. Esses dias, tinham três casos suspeitos. Só que um deles já estava com exame negativo, mas continuou internado porque estavam investigando qual era o problema que ele tinha. Aí colocaram um paciente, que estava com suspeita de covid, junto com esse outro paciente. Se tem um que já é negativo e está com outro covid, ele pode acabar se infectando
"Realmente, abriram mais dez leitos de covid na ala F, que é UTI 2. Só que eles estão começando a mandar pacientes para a ala G também. Esses dias, tinham três casos suspeitos. Só que um deles já estava com exame negativo, mas continuou internado porque estavam investigando qual era o problema que ele tinha. Aí colocaram um paciente, que estava com suspeita de covid, junto com esse outro paciente. Se tem um que já é negativo e está com outro covid, ele pode acabar se infectando”, disse uma funcionária que preferiu não ser identificada.

Ainda segundo ela, o hospital está permitindo a entrada de acompanhantes e visitas juntos com pacientes sintomáticos, o que gera também um grande risco de aumentar as contaminações. De acordo com a enfermeira, isso ocorre desde o início da pandemia.

“Os acompanhantes de pacientes com covid não têm paramentação, só máscara de pano. Isso faz com que aumentem as infecções. É um erro que tem me preocupado muito. Acho que isso está fazendo com que aumentem muito os casos. Como você coloca acompanhante ou visita com paciente com covid? Nenhum hospital tem, só aqui!”, diz indignada.

Outra profissional de enfermagem, que também pediu para não ser identificada, relatou que a unidade não está fornecendo a proteção necessária para os enfermeiros trabalharem. Segundo ela, os profissionais estão trabalhando apenas com um avental descartável, gorro, máscara N 95 e óculos.

“Eles não liberaram porque as alas [G e H] não são covid, mas tem pacientes com covid na ala G também. Por mais que na H não tenha, o ideal eram todos trabalharem com privativos para evitar de virar um cruzamento de bactérias, entre os pacientes que não são covid e os que são. Uma desordem total”, disse preocupada.

O QUE DIZ A SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE SOBRE AS DENÚNCIAS

O Cotia e Cia enviou as declarações das enfermeiras para a Secretaria de Estado da Saúde na sexta-feira (18/12). Na noite desta segunda-feira (21), a assessoria de imprensa da pasta disse que as informações citadas pelas profissionais que trabalham na linha de frente da pandemia são inverídicas.

A secretaria informou que o Hospital Regional de Cotia é referência para Covid-19 e conta com uma ala exclusiva para pacientes suspeitos e confirmados. Acontece que, até a semana passada, a unidade não era mais referência, segundo a própria Secretaria de Saúde do Estado.

Sobre as internações misturadas na ala G, de pacientes com covid com pacientes com outras patologias, a secretaria explicou que não procede e que não há contato direto com outros internados com o novo coronavírus.

A nota finaliza dizendo que o hospital segue todas as diretrizes sanitárias, disponibilizando EPIs para os colaboradores e exige paramentação correta tanto para profissionais quanto visitantes.

Todas os relatos citados nesta reportagem também foram apresentados ao Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), que até o fechamento desta matéria, não retornou.  

Reportagem: Neto Rossi