Fim do home office muda mercado imobiliário e Cotia registra queda de 41% nas escrituras

Levantamento do Colégio Notarial do Brasil aponta retração nas transações imobiliárias da cidade entre 2021 e 2025, enquanto capital paulista registra alta

Foto: Reprodução 

Cotia está entre as cidades paulistas que registraram uma das maiores retrações no número de escrituras de compra e venda de imóveis nos últimos anos. Segundo levantamento do Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo (CNB/SP), a cidade teve uma queda de 41% nas escrituras entre 2021 e 2025.

O movimento ocorre em um período marcado pela mudança na relação dos trabalhadores com o local onde vivem. Durante a pandemia de Covid-19, a expansão do home office levou muitas famílias a buscar cidades fora da capital, onde encontravam imóveis maiores, mais espaço e, em alguns casos, custos diferentes.

Com a retomada do trabalho presencial e a consolidação de modelos híbridos, a proximidade entre casa e escritório voltou a pesar nas decisões de moradia.

Cotia entre as cidades que mais recuaram

O levantamento mostra que Cotia teve a segunda maior queda entre as cidades destacadas pela pesquisa, atrás de Itupeva, que registrou retração de 57% nas escrituras entre 2021 e 2025.

Na sequência aparecem Indaiatuba, com redução de 36%, e Atibaia, com queda de 31%.

Também foram registradas retrações em municípios como São João da Boa Vista, Peruíbe, Itu e Itatiba.

Os dados, porém, não significam necessariamente que moradores estejam deixando essas cidades. Segundo o próprio CNB/SP, a redução das escrituras deve ser interpretada principalmente como uma desaceleração nas transações imobiliárias após o período excepcional de crescimento provocado pela pandemia.

Capital paulista segue em direção diferente

Enquanto Cotia e outras cidades do interior registraram redução, a capital paulista apresentou crescimento no número de escrituras.

São Paulo chegou a 90.402 escrituras de compra e venda de imóveis em 2025, alta de 49,6% em relação a 2020, segundo o CNB/SP.

A diferença entre os mercados acompanha, em parte, a retomada das atividades presenciais. Com mais empresas exigindo a presença dos funcionários nos escritórios, morar próximo aos grandes centros voltou a ser uma questão relevante para muitos trabalhadores.

Deslocamento volta a pesar na escolha de onde morar

A volta ao presencial também trouxe de volta custos e dificuldades que haviam sido reduzidos durante o home office, como combustível, transporte, pedágios e tempo de deslocamento.

Uma pesquisa realizada pela WeWork em parceria com a Offerwise apontou que 63% dos profissionais trabalham presencialmente. Entre eles, 79% afirmaram que essa condição é determinada pela empresa.

O deslocamento aparece entre as principais desvantagens do trabalho presencial. Segundo o levantamento, 65% dos trabalhadores apontaram esse fator como um dos principais problemas, enquanto 53% relataram aumento das despesas relacionadas à ida ao escritório.

Para o vice-presidente do CNB/SP, Andrey Guimarães Duarte, a redução das escrituras em algumas cidades não deve ser interpretada automaticamente como uma saída em massa de moradores. Os números indicam principalmente uma redução no ritmo das transações depois de um período atípico de crescimento.

*Texto com informações do G1
Postagem Anterior Próxima Postagem