Operação após fraude de mais de R$ 570 mil contra empresário de Cotia já prendeu quatro suspeitos e cumpre mandados em vários estados
![]() |
| Foto: Divulgação / Polícia Civil |
Uma operação da Polícia Civil deflagrada na semana passada desarticulou um grupo suspeito de aplicar golpes bancários por meio de ligações telefônicas fraudulentas em diferentes regiões do país.
Batizada de “Operação Ramal 171”, a ação cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em diversos estados e resultou, até o momento, na prisão de quatro pessoas.
A investigação é conduzida pelo Setor de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia Seccional de Carapicuíba e foi coordenada pelo delegado Adair Marques. A operação contou com apoio do GOE de Carapicuíba e de outras unidades da Polícia Civil.
Investigação começou após golpe milionário
As investigações tiveram início após um empresário de Cotia cair em um golpe bancário que resultou em prejuízo superior a R$ 570 mil.
Segundo o inquérito policial, em 26 de agosto de 2025, a vítima recebeu uma ligação telefônica de um número que aparentava ser o corporativo de seu gerente bancário. Durante a chamada, o suposto gerente afirmou que a conta havia sido comprometida e que seria necessário realizar alguns procedimentos para evitar fraudes.
Confiando na orientação, a vítima acabou fornecendo dados sigilosos de acesso à conta bancária. Com essas informações, os criminosos conseguiram acessar o aplicativo do banco e realizar diversas transferências via PIX, totalizando o prejuízo milionário.
A investigação identificou os suspeitos de participação direta na fraude e também apontou a existência de uma estrutura maior utilizada para viabilizar o golpe.
Empresa forneceria estrutura para golpes
Durante o aprofundamento das apurações, os investigadores também descobriram que a ligação utilizada no golpe foi realizada por meio de spoofing telefônico, técnica que permite mascarar o número de origem da chamada e fazer com que ele apareça como se fosse de uma instituição legítima.
Segundo a Polícia Civil, a tecnologia utilizada teria partido de uma empresa de telecomunicações que, conforme apurado, forneceria estrutura de comunicação utilizada por estelionatários.
As investigações indicam que a empresa operava um sistema capaz de realizar disparo em massa de ligações e mensagens, com cerca de 10 milhões de chamadas por dia, utilizadas em golpes aplicados em diferentes regiões do país.
Entre os presos estão um casal apontado como responsável por operar a empresa que fornecia os serviços de engenharia social utilizados nos golpes, a partir da cidade de Praia Grande, no litoral paulista, oferecendo suporte para estelionatários de todo o Brasil.
Durante as diligências, equipamentos eletrônicos e valores em dinheiro foram apreendidos pelos policiais.
Um dos investigados apontado como proprietário de fachada da empresa segue foragido, e diligências continuam sendo realizadas para localizá-lo.
Crimes investigados
A operação busca reunir provas e identificar outros possíveis envolvidos em crimes como furto mediante fraude, estelionato, associação criminosa e lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores.
Segundo a Polícia Civil, as investigações continuam para identificar outras vítimas e possíveis integrantes da organização criminosa.
Alerta sobre o golpe do falso gerente
De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o golpe do falso gerente tem se tornado cada vez mais comum no Brasil. Nessa modalidade, criminosos entram em contato com clientes se passando por funcionários de instituições financeiras.
Durante a ligação, os golpistas costumam alegar problemas na conta, clonagem de cartão ou tentativas de fraude, e pedem dados pessoais, senhas ou códigos de segurança.
A entidade reforça que bancos nunca solicitam senhas, tokens ou transferências por telefone. Em caso de contato suspeito, a orientação é encerrar a ligação imediatamente e procurar os canais oficiais da instituição financeira.
