Em sua coluna deste mês, Dra. Amanda Druziani explica os sinais da puberdade, os impactos emocionais da menarca e a importância do diálogo dentro de casa
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Coluna Saber Saúde, por Amanda Druziani
A primeira menstruação é um marco importante no desenvolvimento das meninas e é um dos marcos da Puberdade. Esse momento costuma vir acompanhado de muitas dúvidas, inseguranças e mudanças físicas e emocionais — tanto para as adolescentes quanto para suas famílias. Por isso, informação clara, acolhimento e diálogo fazem toda a diferença.
Antes da primeira menstruação, o corpo já começa a dar sinais de amadurecimento. A primeira mudança que marca o início da puberdade é o aparecimento do broto mamário, depois aparecimento de pelos na região íntima, estirão de crescimento, mudanças no humor e no corpo até que em média dois anos após o primeiro sinal da puberdade, vem a menstruação, que geralmente acontece entre os 9 e 15 anos.
E o que isso quer dizer? Quer dizer que o corpo da menina, iniciou a produção dos hormônios sexuais, que vão estimular seus ovários todos os meses a ovular e o útero a criar o ambiente perfeito para uma gestação. É o nosso lado animal, cuidando da continuidade da espécie, à despeito do que concordamos hoje, como sociedade, ser a idade ideal para uma menina gerar um filho.
Por isso, mais do que falar sobre absorventes e cólicas, orientar uma adolescente significa ajudá-la a entender que a menstruação é um processo natural do corpo feminino e que as alterações hormonais que está vivenciando irão trazer novas perguntas, novas curiosidades e novas responsabilidades. É fundamental que a adolescente tenha um ambiente seguro para tirar todas essas dúvidas, evitando assim, que as respostas sejam encontradas na internet.
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Como conversar sobre o assunto?
Muitos pais e responsáveis ainda têm dificuldade em abordar o tema, mas o ideal é que a conversa aconteça antes da primeira menstruação. Quando a menina é preparada, ela tende a viver esse momento com mais tranquilidade e menos medo.
Algumas orientações importantes:
- Use linguagem simples e adequada para a idade;
- Explique que cada corpo tem seu tempo;
- Fale sobre higiene íntima e troca correta de absorventes;
- Oriente sobre possíveis sintomas, como cólicas e alterações de humor;
- Evite tratar a menstruação como algo “feio” ou “proibido”;
- Esteja disponível para ouvir dúvidas sem julgamentos.
A adolescência é uma fase de muitas transformações emocionais. Por isso, acolher sentimentos e fortalecer a autoestima da menina é tão importante quanto explicar as mudanças físicas.
E quando a menstruação acontece muito cedo?
Nos últimos anos, especialistas têm observado casos cada vez mais frequentes de menarca precoce, quando a primeira menstruação ocorre antes dos 8 ou 9 anos. Isso pode estar relacionado a fatores genéticos, obesidade infantil, alimentação inadequada, sedentarismo, exposição excessiva a telas, alterações hormonais e até questões ambientais.
Quando a puberdade começa cedo demais, a criança pode enfrentar dificuldades emocionais importantes, já que o corpo amadurece antes da maturidade psicológica. Muitas meninas se sentem diferentes das colegas, envergonhadas ou confusas diante das mudanças.
Além do impacto emocional, a puberdade precoce também merece avaliação médica porque pode afetar o crescimento e, em alguns casos, estar relacionada a alterações hormonais que precisam de acompanhamento.
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Quando procurar um médico?
É importante buscar orientação com o pediatra ou endocrinologista infantil quando houver:
- Desenvolvimento das mamas antes dos 8 anos;
- Crescimento acelerado em pouco tempo;
- Primeira menstruação muito precoce;
- Cólicas intensas ou sangramentos excessivos;
- Grande sofrimento emocional relacionado à puberdade.
O acompanhamento profissional ajuda a avaliar se o desenvolvimento está dentro do esperado e orienta a família da melhor forma.
Informação e acolhimento fazem diferença
Falar sobre menstruação com naturalidade contribui para que meninas cresçam mais seguras, conscientes do próprio corpo e livres de muitos medos e preconceitos. A família, a escola e os profissionais de saúde têm papel fundamental nesse processo.
Mais do que explicar mudanças físicas, orientar nossas adolescentes é ensinar autocuidado, respeito ao corpo e confiança para viver essa nova fase de maneira saudável e tranquila.


