“Ajustar as Velas”: palestra propõe reflexão sobre vida, cuidado e saúde mental em Cotia

Psicóloga Evenyn Uchôa conduz encontro aberto ao público nesta quinta-feira (17), às 10h, na Câmara de Cotia

Evenyn Uchôa, psicóloga e palestrante. Foto: Divulgação 

Em meio às ações do Setembro Amarelo, Cotia recebe nesta quinta-feira (17), às 10h, a palestra “Ajustar as Velas – uma conversa sobre vida, cuidado e existência”, conduzida pela psicóloga Evenyn Uchôa.

O encontro será realizado na Câmara Municipal de Cotia, integra a programação da Escola do Parlamento e é aberto ao público.

A proposta da palestra é ampliar a discussão sobre saúde mental, prevenção e cuidado, indo além da abordagem sobre o sofrimento para refletir também sobre os fatores que sustentam a vida, como vínculos, pertencimento, escuta e redes de apoio.

O tema parte da metáfora de que nem todos os acontecimentos e desafios estão sob o controle das pessoas, mas é possível reconhecer os próprios limites e buscar caminhos diante das mudanças.

Não podemos transformar uma questão tão séria em um mês de laços amarelos, frases prontas e campanhas que terminam quando setembro acaba”, afirma a psicóloga.

Segundo Evenyn, a discussão sobre prevenção do suicídio exige responsabilidade e não deve colocar toda a responsabilidade sobre a pessoa que está enfrentando uma situação de sofrimento.

“Quando falamos em saúde mental, precisamos tomar cuidado para não colocar toda a responsabilidade sobre a pessoa que está sofrendo. Saúde mental também passa pelas condições em que as pessoas vivem, pelas relações que constroem, pela realidade socioeconômica, pelo acesso à moradia, à educação, à saúde, ao trabalho e às políticas públicas.”

Vínculos e redes de apoio

Outro ponto que será abordado durante a palestra é a importância das relações humanas e das redes de apoio.

A psicóloga chama atenção para uma contradição cada vez mais presente na sociedade: ao mesmo tempo em que as pessoas estão permanentemente conectadas por meio da tecnologia, muitas enfrentam sentimentos de solidão, dificuldade de pertencimento e fragilidade nos vínculos.

“Estamos vivendo uma época em que conseguimos falar com alguém que está do outro lado do mundo em segundos, mas muitas vezes não sabemos como perguntar para quem está ao nosso lado: ‘Como você realmente está?’. Precisamos estreitar relações.”


Para Evenyn, a escuta também tem papel importante no processo de cuidado. “Precisamos aprender a escutar sem transformar imediatamente a dor do outro em conselho, julgamento ou solução.”

A palestra também pretende reforçar que pedir ajuda não é sinal de fraqueza e que a prevenção envolve a construção de ambientes nos quais as pessoas possam falar sobre suas dificuldades, ser escutadas e encontrar apoio.

Debate precisa ir além das campanhas

A psicóloga defende que a discussão sobre saúde mental e prevenção ao suicídio deve ser acompanhada de informação qualificada, fortalecimento das redes de cuidado e políticas públicas.

“Esses números precisam nos fazer perguntar não apenas o que estamos fazendo individualmente, mas o que estamos construindo enquanto sociedade. Se os indicadores continuam nos mostrando que temos um problema grave de saúde pública, precisamos ir além das campanhas simbólicas.”

Segundo ela, é necessário ampliar as conversas sobre o tema, fortalecer redes de apoio e criar espaços capazes de produzir mudanças. “Precisamos conversar, estudar, criar redes, fortalecer políticas públicas e ocupar os espaços onde essas discussões podem produzir mudanças.”

Com experiência clínica no atendimento de crianças, adolescentes e famílias, além de estudos relacionados à saúde mental e ao comportamento humano, Evenyn também destaca a importância de abordar temas difíceis de maneira responsável.

“A gente precisa falar. Mas precisa saber como falar. Precisamos criar espaços de conscientização que não produzam medo, culpa ou romantização do sofrimento, mas que ampliem conhecimento, proteção e possibilidades de cuidado.”


Para a psicóloga, campanhas e encontros como a palestra não resolvem sozinhos um problema social, mas podem contribuir para ampliar o debate e fortalecer as redes de cuidado. “Uma palestra não resolve um problema social. Uma campanha não resolve. Mas elas podem abrir conversas que antes não existiam, aproximar pessoas, provocar perguntas e fortalecer uma rede.”

Serviço


Palestra: Ajustar as Velas – uma conversa sobre vida, cuidado e existência
Palestrante: Evenyn Uchôa, psicóloga
Data: Quinta-feira, 17 de setembro
Horário: 10h
Local:
Câmara Municipal de Cotia
Realização: Escola do Parlamento
Entrada: Aberta ao público


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