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Cemucam pode ser doado a cidade de Cotia!


O parque municipal Cemucam, incluído seu riquíssimo viveiro de árvores --o único que existe para abastecer a capital paulista--, pode ser doado para a cidade de Cotia. 

O prefeito Fernando Haddad (PT) e o secretário Ricardo Teixeira (Verde e Meio Ambiente) acataram um pedido da Prefeitura de Cotia, que quer ficar com a área. O parque tem uma peculiaridade: embora pertença à Prefeitura de São Paulo, está dentro de Cotia; ele foi cedido a São Paulo na década de 1960, em uma permuta com o governo do Estado.

Tanto o prefeito quanto o secretário pretendem, principalmente, reduzir o custo com a administração de parques. O Cemucam custa à prefeitura R$ 150 mil por mês. Depois de o projeto ficar pronto, ele será enviado para os vereadores, que terão que aprová-lo ou não. Não há prazo para isso ocorrer. Especialistas em botânica da prefeitura temem a cessão do local --criado em 1968 e único parque municipal fora do território paulistano. O imenso viveiro Harry Blossfeld, com seus 100 mil metros quadrados de área produtiva, é um patrimônio botânico único na cidade, que fará falta, segundo técnicos que aceitaram falar à Folha sob anonimato. É de lá, em Cotia, perto de remanescentes de mata atlântica, que saem as sementes e as mudas de árvores para repovoar as ruas da capital.

TEMOR

Mesmo a informação dada pela prefeitura --de que o viveiro será transferido para um dos outros 92 parques públicos de São Paulo-- não diminui o temor dos analistas. O processo de produção de uma árvore, como jacarandá-da-bahia, cedro-rosa, pau-ferro, ipê-amarelo e muitas outras, é intrincado. O passo essencial é que as matrizes (árvores plantadas em solo adaptado há décadas) produzam sementes. 

No caso do Cemucam, há produção anual de 150 quilos e a geração de 90 mil mudas. Depois, com as sementes em mãos, o trabalho é artesanal, até que uma muda possa sair do viveiro e ser plantada em algum lugar. Segundo os técnicos, é impossível replantar as matrizes que produzem as sementes em outra região. A taxa de perda seria grande, calculam. Mesmo que a prefeitura transfira estufas e equipamentos para a germinação para outro lugar, o banco genético é intransferível. "No caso das matrizes, a única solução é plantar tudo novamente", afirma Marcos Buckeridge, botânico da Universidade de São Paulo. Agora, diz, como essas plantas só dão flores depois de 20 ou 30 anos, elas não poderão gerar mudas tão cedo. "Os custos dessas transferências são altíssimos." O Cemucam tem árvores raras, ameaçadas de extinção, e outras, como palmeiras. Neste caso, será preciso transferir 15 mil exemplares. SEM ÁRVORES

A cidade de São Paulo conta com mais dois viveiros, mas que não produzem árvores --apenas outros tipos de plantas, como as arbustivas. Um deles está dentro do parque do Carmo (zona leste paulistana) e outro no Manequinho Lopes, ao lado do parque Ibirapuera (zona sul). Esses espaços até recebem árvores, mas apenas as mudas doadas por obrigação legal, dentro dos processos de compensação ambiental, tanto pelo setor público quanto pela esfera privada.

CUSTO
A gestão anterior, do prefeito Gilberto Kassab (PSD), começou o estudo para a montagem de um novo viveiro, no parque Anhanguera, em Perus (zona norte). O alto custo da operação, na ocasião, inviabilizou a continuidade do processo.

*Folha de SP
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